quarta-feira, 12 de outubro de 2011

VIVA A CRIANÇA

Viva a Criança

"Nunca ninguém conseguirá ir ao fundo de um riso de criança.
" Victor Hugo”

"Sufoca-se o espírito da criança com conhecimentos inúteis.
"Voltaire

"As crianças não têm passado, nem futuro, e coisa que nunca nos acontece, gozam o presente.
"Jean de La Bruyère


Dia desses, tomei o troléibus para um trajeto curto entre diadema e São Bernardo, coloquei-me num espaço reservado a cadeirantes, contra o vidro que separava o piso mais alto com assentos e  o lado com piso rebaixado. Do lado elevado, junto ao mesmo vidro, uma criança brincava consigo mesmo , movimentando-se para lá e pra cá, rindo para o seu mundo e então olhou-me , esboçou um sorriso, passou o bracinho pelo vão do vidro, ofereceu-me  sua mão, cumprimentando-me à maneira que fazem os jovens e então fez um gesto de positivo mantendo o leve sorriso e incontinente retomou o seu mundo de faz de conta.
O gesto me devolveu a calma ao agitado dia, após ter dado duas aulas e por final a chuva que me encharcou os pés e tênis, a mim foi uma generosa paga pelo dia como voluntário
A mim o que mais me impressiona com esses fatos insólitos e por vezes imperceptíveis ao nosso mundo adulto é que  esses pequenos seres são capazes de grandes coisas, como se por magia  envolvessem-nos num momento de ternura e contentamento; olham-nos direto nos olhos e então repassam um gostoso sorriso, como se enxergassem bem além da nossa barreira cosmética.
O mundo adulto nos priva de sensações e de um universo de percepções e experimentações que um dia tivemos. As regras, tabus, máscaras de convívio somam fatos aos nossos anos, velando  mais e mais a forma lúdica como víamos e sentíamos o mundo e  que então com um preciso cinzel gravavamos em nossas memórias as melhores recordações de nossas vidas.
A vida é nada mais que uma escola em que as etapas do viver acrescentam um pouco do que havemos de ser pela nossa romagem terrena a cada dia, todavia dos primeiros fatos da nossa existência, deixamos que nosso sábio mundo infantil se perca na estreiteza da visão adulta, nas incertezas de todos os dias, na busca desesperadas por um futuro que esta sempre um passo além ou na insana mania de repetir em nós modelos rotos  e seduzimo-nos por grupos que repetem comportamentos, sentimentos e atitudes anacrônicos.  
Passamos assim da idade infantil a idade imbecil onde perdemos o foco das soluções fáceis de quando eramos crianças, quando tudo se resolvia com um sorriso ou que o trocar de mal era magicamente deixado para trás com uma pergunta gentil:

__Posso brincar também?

(Essa é uma singela homenagem a Criança que habita nos pequenos corpos e também dentro de cada um de nós)
 Por Edson


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

AS SEMENTES DO ÓDIO


Sementes do ódio


"A ignorância é a mãe de todos os males."Autor François Rebelais

Nesta semana ouvi de uma mulher no metro, frases inusitadas. Ao telefone, falava ditosamente  a sua amiga do outro lado da linha sobre as vantagens do seu Deus e tecia comentários desairosos sobre o Deus de um amigo dela.

__ “... o Deus do amigo é segundo ele o arquiteto do universo e o... (sic)”.

Passo seguinte, a moça comentou sobre o seu Deus, o Verdadeiro, segundo ela. Ela falava com um desprezo tão grande contra esse outro tal Deus do amigo, e então pensei sobre o fato e a mim me soou risível, mas dai então me peguei divagando sobre algumas considerações sobre a tal conversa.

Recebi também a noticia, nesse mesmo dia, de que um amigo recebeu um sms de ameaça de alguém membro de uma escola de filosofia afamada, porque meu amigo divulgou ideias de sobre um assunto de domínio publico e que de alguma forma ofende essa escola.

Ambas as histórias estabelecem um paralelo surpreendente e a mim, as ações parecem partir de sementeiras diferentes, todavia submetidas as, mesma distorções a que são submetidas qualquer ideia que germine entre nós.

Cruzam e cruzaram pelo nosso planeta homens além do seu tempo, com ideais maiores que si mesmo, que alimentaram-nos com pensamentos arejados sobre uma variada gama de assuntos sobre os quais o humano é o pano de fundo. Com toda certeza polarizaram e fizeram orbitar em torno de si pessoas que beberam em profusão do que diziam, do que faziam e cada um procurou emular em si o que esses personagens foram para o seu tempo.

Todavia cada ser responde de forma diferente a todo e qualquer estímulo externo e cada ser age segundo a forma como lê, interpreta o mundo ou segundo a forma como abraça essa ou aquela ideia.

Ouvimos e admiramos os grandes homens e seus grandes feitos, ideias e palavras, porém à medida que trazemos ideias maiores ao nosso estreito e pequeno mundo, limitamos o entendimento a tudo isso e por consequência a resposta também se dará como um harmônico de menor brilho e intensidade e por vezes, divergente do ícone que tentamos nos associar.

Os luminares passam e passaram, porém deixam após sua passagem um arsenal de boas virtudes, que são então desposadas por outras pessoas, ganham peso, sabor, tempero, densidade e tintas diferentes do original. As ideias se travestem com roupagens novas e diversas e são então blindadas nos claustros da ignorância.

As correntes filosóficas que banham as nossas mentes, ganham por vezes aspectos ritualísticos e distorcidos de forma a atender a limitação do nosso entendimento ou a interesses de  grupos aos quais pertencemos , desviam-se, então, para o sectarismo hermético e cosmético,  abandonam o usufruto do luminar original e as palavras velam-se na ignorância, na cupidez, obtusidade e na insensatez dos dogmas e tabus sobre  ideias que transcendem o que pensamos.

Os dogmas, os tabus são os pais do ódio que inconscientemente germinam quando cismamos achar que o nosso próximo esta sob os auspícios de uma natureza menos digna ou que ele saúda a uma força geradora, diferente daquela que nós mesmos compreendemos.

Pense nisso!


Por Edson Ovidio





sábado, 1 de outubro de 2011

O SENTIDO DA VIDA

O Sentido da Vida

"Não se pode ensinar alguma coisa a alguém, pode-se apenas auxiliar a descobrir por si mesmo." Galileu Galilei"

Todos nós nascemos originais e morremos cópias." Carl J. Jung




Nascemos , crescemos, adquirimos saberes, aquinhoamos bens, conquistamos cargos, títulos, somos um sucesso, mas afinal a vida é apenas uma corrida ao topo? Ou será que há algum outro sentido maior para a nossa auto expressão como seres humanos?

Por mais batalhas que vençamos e quaisquer que sejam os mais altos cargos e títulos a que nos submetamos, todavia parecem não responder a questões fundamentais como a carência e pressões que por vezes roubam o sossego, desequilibram a aparente paz ante a abundância recursos.

Será que somos simples e beócios humanos teleguiados por uma divindade hermética, acessível e decifrável via dogmas, tabus e cismas religiosas?

Sabemos que nossa existência é uma sucessão de ciclos e o sucesso de cada coisa unicamente depende da forma como a percebemos, porque muitas vezes, perder é ganhar, muitas vezes os rumos da nossa felicidade não estão na satisfação dos sentidos externos.
Possivelmente o destino factual de nossas vidas dependa de nós mesmos, quaisquer que tenham sido a causa que nos tenha gerado, quaisquer que sejam os nossos mecanismos de interação com o mundo que nos cerca, a despeito do que mais além possa existir.

Segundo alguns nossas vidas são o usufruto do sagrado e caminham na direção de uma recompensa futura, outros a identificam como fruto de uma casualidade e seguem saboreando as delicias pontuais do dia, porque o estertor e o fato da morte deles extrairão todos os prazeres; outras pessoas vivem a vida sem saber a que lado tende e jamais entenderão o sentido de si mesmos, supondo-se que tudo acabe nessa existência.

Formamos a grande família humana, porém cada um de nós busca uma diferenciação, quer porque nos julguemos diletos filhos de uma divindade qualquer, ou por termos melhores atributos físicos, financeiros, melhores rótulos e títulos. Buscamos a sagração de um futuro junto de nossos pares, num paraíso sobre o qual idealizamos uma coexistência com um seleto grupo  de confrades, quem sabe o não existir e retorno inclemente ao não-ser ou como preferem os religiosos, o céu aos justos, segundo uma ética limitada e eivada de regras, ou a danação eterna aos que seguiram regras contrarias e não santas.

Quaisquer que seja a sua corrente de pensamento e a direções que seu jeito de pensar o conduza, ou a forma como você formate o seu hoje, é certo que a vida se auto explique e então por fim todas as respostas estarão dentro de nos mesmos.









sábado, 24 de setembro de 2011

O SAGRADO




Há quatro questões de valor na vida: O que é sagrado? Do que é feito o espírito? Pelo que vale a pena viver? e pelo que vale a pena morrer? A resposta a cada um é a mesma, só o amor.Johnny Depp


Nesta semana, a proposta é tentar traduzir em cores um pouco mais vívidas e fortes o sentido do sagrado. Cada vez que falamos do sagrado ele se tinge de humano e fútil porque cada ser humano tem a sua forma individual de sentir, venerar e experimentar em si o que quer que seja isso isoladamente, posto que o sagrado é  apenas um aspecto da percepção de cada um de nós.

 Em essência todos somos iguais e sobre essa igualdade depositamos os rótulos, etiquetas, preocupações, defeitos e mascaras de expressão de nossa personalidade no dia-a-dia. A interação entre o homem, a natureza e o Eu quaisquer que sejam as formas como vivenciemos isso, olhando o por do sol, ouvindo prazerosamente o som do vento, caminhando pelo campo, pela mata ou vivenciando uma miríade de coisas e sentimentos que nos fazem voltar os olhos pra dentro de nós mesmos e sentirmos parte objetiva de algo maior e que transcende o que sabemos , impregna nossa percepção e dele podemos tirar impressões que se nos acrescentam e exortam a uma maior expressão como seres humanos.

  Como humanos aprendemos a sentir, observar, vivenciar e ser, como se saíssemos a procurar e colar figurinhas faltantes em nossos álbuns, aprendendo a coexistir com as pessoas, coisas e sentindo a interação entre tudo. Nossa colcha de retalhos existencial, a rede de amigos, pessoas que aprendemos a amar, abençoar, incluir, aceitar, compreender, transigir e respeitar.

Ao longo de nossas vidas enfrentamos altos e baixos, cumes e planícies, crises e superações, porém o que ou quem nós devolve forças para novamente nos colocarmos em marcha colina acima?

Talvez o sagrado onde quer que o tenhamos, dentro ou fora, a brisa no rosto, um formoso por de sol, o voo de um pássaro, o frescor do gramado sobre nossos pés nos tragam de volta a nós mesmos e de volta a vida.
Muitos procuram o sagrado nos serviços de culto a divindade e se deixam seduzir pelo fausto luxuoso que vilipendia qualquer ideia mais sutil, se valem de rótulos de pseudo superioridade, encastelam-se como prediletos de uma divindade fútil e vaga ou cerram fileiras com um Ser mercantil, marcial e separatista. Abraçados a essa causa,  perdem-se, todavia, em cismas, tabus,  incorporam a si o ódio cego e que sutilmente os impede de uma leitura precisa de si mesmos.

Ser Sagrado a mim representa compreender o mundo em sua essência expressa na natureza, nas pequenas coisas e gestos de carinho, na compaixão a todos os seres, na coexistência pacifica, posto que  todo sentimento que nos isole do outro parte da semente do ódio, da ignorância e da pobreza de percepção do mundo que nos acolhe e nos distancia da nossa  própria essência.



Por Edson ovidio

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ECOS


ECOS

"Se esses ontens fossem devorar os nossos belos amanhãs?"Autor - Paul  Verlaine

"O passado e o porvir estão, ambos, / Recobertos pelo pó e pelos amorfos escombros da
deslembrança."Fonte - Troilo e Cressida" Autor - William  Shakespeare

"Uma coisa é aprender com o passado; outra é ficar lá preso."Autor - José  Braga

Nesta semana foi inevitável ouvirmos de dores e sentimentos amargos, pro-lembrança das vítimas dos atentados dentro dos Estados Unidos e também inevitável que todas as dores e memorias dos familiares e sentimentos tão fortes também se fizessem tão vividamente sentidos em todos os nossos corações.

Os eventos em nossa aldeia global, alegrias ou dores são lançados ao ar diariamente como se fossemos pequenas estações radiotransmissoras, da mesma forma que somos inundados por um jorro de emoções e sentimentos que atravessam nossos corações como se fizemos parte de um rio de energia.  Os ecos ou harmônicos de tudo o que nos acontece ou produzimos continua a produzir os mesmos fatos, as dores suplantam as alegrias e, por vezes eclodem sob disfarces variados em razão do ódio, cobiça, poder exacerbado, a cegueira do orgulho e intolerâncias geradas pelo fundamentalismo  das religiões.

Ouvi um comentário muito sóbrio, em meio a toda essa exaltação da internacionalização dos lutos e dores particulares. Dizia um embaixador que ele cria na simetrização dos sentimentos e que não devíamos só lamentar o impacto produzido localmente, mas também a repetição da tragédia que se verificava noutras partes do mundo, talvez com um número maior de vitimas.

A mim a imagem me arremete a ação de uma pedra lançada num lago, formando no seu entorno ondas de choques ou de um som que então se repete sem parar e que ganha força ao invés de arrefecer.

Muito além das dores engalanadas por trilhas sonoras e o fausto que exalta ainda mais a angustia das amarguras produzidas no seio familiar de uma ínfima parcela de seres comparados a miríade de vítimas das intolerâncias múltiplas que os humanos podem produzir. Calamo-nos ante a dor dos excluídos, a fome dos miseráveis, a vindima das lutas encarniçadas das hostes de tribos e religiões diversas estribadas em ranços ideológicos e que apodrecem os pilares de sustentação da vida digna a todos os seres do planeta.

Os ódios produzidos contra nossos semelhantes, são feitos contra nós mesmos, porque somos frutos do mesma origem, não importa de onde viemos , o que ou quem nos criou, somos os mantenedores do nosso planeta . Macrocosmicamente formamos uma insignificante partícula a deriva na vastidão dos mundos, a mercê das psicopatologias e desvarios das religiões e falsos poderes que geram e gerarão seus frutos e usufrutos por séculos a fio, todavia cabe a nós mantermos a sanidade e higidez dessa pequena esfera a qual habitamos, extirpando o ódio, o desamor que invariavelmente são semeados no seio da nossa família humana.