terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O VELEIRO


Na  manhã muito escura
Na suavidade do tempo
Sai do cais, mar adentro
Pequena nau, meu veleiro
Vai nas vagas do azul
Singra a barca  o imenso
Dança à brisa sem tino
Valsa o vento o destino
Iça a  vela vai  longe
Leva meu barco ligeiro

Mar calmo e  bravio
Arde a pele o sol à pino
Velas da vontade
dão ao vento
levam meu navio destino
Corta a vastidão a quilha
ao largo passa  uma ilha
Varre o profundo a rede
O que me há de trazer?

O desejo é um leme forte
Deriva a nau nas tormentas
Iras e Fúrias de tempestade
Bruscas nuvens cinzentas
Nau sem rumo e sem norte
Que o caos agita e  aderna
Com força e  majestade
Como se sob pena eterna
Como no estertor da morte

Abranda o louco  instante
Galeia a nau na calmaria
Abre o tempo
Como  jamais eu sonharia
Ao longe avisto um  porto
Navego ligeiro em sotavento
A vontade  lança o lastro
E a vida  prossegue
O barco se aporta enfim
E a felicidade se aporta 
em mim.


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THE VESSEL 


It is a pitch dark morning
the smoothness of time
Leaves the port seawards
navigate the blue my boat
Sailing on the immenseness
Dancing  in  breeze mindless
Destiny  waltzing in the wind
setting  sail to distant sea
sail away my swift  boat

Calm and tempest water
Skin-burned by the sun upright
Sails hoisted Catching the wind
Taking the boat to  the destiny
through waves cuts the  keel
depth´s swept by the trawl net
what  will be caught in its  weft

Desire  is a strong rudder
That casts the ship adrift
Fierce, angry the stormy sea
gray dark clouds are all I see
a ship sailing no way further
troubled and heeled in shambles
With strength and majesty
As if  an eternal day on  ramble
Or a final death throes to potter

The wild day´s calmed down
Careens the ship in the lull
Under a cloudless sky
Like never in my wildest dream
In the distance I sight a scene
Make quickly sailing leeward
drops anchor the will screams
And life goes on
after all the boat docks at the port
And the happiness docks at me

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

METAMORFOSE




Quando somos crianças a vida é apenas um doce sonho suave que nos acolhe em seu halo luminoso de fantasias efêmeras. Choramos e rimos, brigamos e perdoamos, não temos e queremos. Enquanto somos crianças, o nosso agora é bem mais significativos do que o dia seguinte e fundamentalmente porque estamos completamente comprometidos com esse instante.

Enquanto crescemos, as visões práticas do mundo gradualmente tomam lugar dos sonhos pueris e então vamos lentamente perdendo o jeito criança, dividimo-nos   entre dois mundos e entre vários amigos. Acrescentamos valores às nossas quimeras pueris, queremos ser isso, queremos ser aquilo.

Vida adentro, defrontando-nos com as diversas crises, sonhando e ensaiando diversos voos, seguindo modismos e tendências. Levantamos diversas bandeiras, somos de tribos, somos de clãs. Criamos as nossas muralhas, cavamos as nossas trincheiras, nos protegemos dos pesadelos, dos medos e dos inimigos que criamos e imaginamos.

Quando adultos, somos de castas distintas seguindo por trilhas e caminhos rumo ao topo de uma montanha. Criamos as ferramentas e estratégias para atingi-la ou somos vítimas de nossos  medos e pesadelos vorazes que  nos prendem aos grilhões da impotência.

Em nossos sonhos de sucesso, todavia invariavelmente esquecemo-nos de nós mesmos pelo caminho, em meio a guerras, batalhas e escaramuças. Por vezes, nos precipitamos montanha abaixo ou na busca de atalhos, nos perdemos em cavernas escuras e labirintos esquecidos dentro de nós mesmos. 

por Edson Ovídio



METAMORPHOSIS

When we are children,  life is just a sweet dream that embraces us in its bright and ephemeral  halo of fantasies .We yell and laugh, we fight and forgive , we haven´t got a thing and we want it. While we are children, this very moment is more important than next one because we are wholly committed to it

As we grow, the visions of the practical world gradually swap round our childish dreams and therefore we slowly change our immature way and we are divided between two worlds and among several friends. We add value to our childish   fantasies, we want to be this, and we want to be that.

Through life, we struggle with the various crises while we dream and take chances to fly,   sticking to fashions and trends. We raise several flags against anything, we are tribes and clans.  We build our walls, dig up our trenches to protect from nightmares, fears and enemies that we create and imagine.

As adults, we belong to distinct castes and ride through trails and paths towards the very top of a   mountain whatever it may be. We make up tools and strategies to achieve it or we are casualties of fears and vicious nightmares that shackle us to impotence.

In our dreams of success, we invariably led ourselves astray in the eye of wars, battles and skirmishes. Sometimes we fall down from a mountain or in search of shortcuts, we get lost in dark caves and labyrinths within ourselves.



domingo, 14 de outubro de 2012

EM SINTONIA




Imagine-se numa grande orquestra em que cada músico toque uma sinfonia diferente, em sintonia com outros músicos distantes e regidos por um maestro desconhecido. Esse concerto lhe soaria aos ouvidos como um ruído destoante, multiforme e anárquico.

Assim somos nós! Mostramos o que somos e cada qual doura a relevância e importância do que é de seu comportamento, culturas, pensamentos, ações, filosofia, todavia leva um bom tempo ate que possamos compreender plenamente que outras pessoas vibram numa diapasão diferente e podem não compreender nosso modus vivendi por estarem aquém ou além de nosso referencial.

Compartilhamos um mundo pleno de pontos de vista, crenças, culturas e tradições que se entrechocam, onde o bem o mal se fundem ou se digladiam por diferenças de conceitos e fronteiras definitivas entre um e outro, pois por mais diferentes que todos possamos ser. Estamos sintonizados com as diversas correntes de filosofia e ideias que transitam mundo afora .

A vida em nosso planeta sofre os impactos dessa louca sinfonia desarmônica e tudo parece sempre caminhar num perfeito descompasso, porém à medida que a humanidade amadurece e compreende que somos parte de um grande todo, a musica que somos capazes de produzir tende a harmonia que nos fará um dia compreender tudo e cada coisa em nosso entorno.


Por Edson Ovidio

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In Sync


Picture yourself playing in a big orchestra where every musician playing in a different tune along with distant musicians and conducted by an unknown maestro. This concert would sound like a diverse and anarchical noise to your ears

So are we!
We show what we are and each one of us gild the respectability and importance of our behaviour, thoughts and actions, nevertheless it takes a long time until we realise that all the other people are in a different tune, either very behind or further ahead of our own references and might not understand as well our philosophy.

 We share a world full of point of views, creeds, cultures, traditions, good and evil which can clash against each other because of the conceptual differences or a perceptive boundary between them. We are in tune with a lot of different philosophical current and ideas that are carried over throughout the ages

Life on the planet is directly  impacted by this crazy, disharmonious symphony and everything seems to be striding out of step, but while the mankind matures and understands that we are a part of the wholeness and the song that we are able to sing will come into harmony and make us be aware of each and every and thing around us

by Edson Ovidio

sábado, 29 de setembro de 2012

O LEGADO








Quando somos crianças, refletimos em nós o que são nossos pais, nossa família, trazemos conosco a herança genética, seus credos, medos, culturas, combustíveis diversos que farão partes de nossa trajetória e valores, enfim somos apenas uma semente pronta para brotar, espelhar, expressar-se, espalhar-se e continuar uma historia de família e na medida do possível florir e trazer ao mundo as melhores flores e frutos.
Enquanto crescemos, as flores do tempo, das gentes, seus tons, perfumes e fascínios somam-se aos nossos; como num imenso jardim onde o que somos se agrega ao legado de muitos. Movemo-nos gostosamente pela somatória de soluções dos quais somos herdeiros e, por fim, moldamo-nos aos padrões do universo de valores onde nos privamos de acrescentar novas ideias ou conceitos, por julgarmos que tudo já foi dito, escrito e criado.
Nesse mundo de heranças e valores os quais reverenciamos e perpetuamos ainda que inconscientemente, adaptamo-nos constantemente a moldes pré-existentes, presos a fantasias e a irrealidade de posses e títulos ad-eternum, trilhando a passos sempre largos pelos caminhos de menor resistência, por onde muitas vezes nos perdemos.
Esforcemo-nos, todavia por ser uma fatia das soluções que o futuro há de trazer, estabelecer novos padrões com novas e melhores respostas aos muitos enigmas da vida e ao que hoje somos e deixar um legado que se expanda além das fronteiras do tempo e espaço.
Nosso legado há de ser bem maior do que tudo aquilo que agora vivenciamos, basta que apenas queiramos e nos desenfaixemos de todas as convenções. 

Por Edson





LEGACY

When we are children we reflect our parents through our genetic heritage, their creeds, fears, cultures and many other fuels that will help us to ignite our values and paths because we are simply seeds ready to sprout and be a mirror the world around, expressing ourselves and carrying on a family history and therefore bloom and come out better flowers and fruits
While we grow old, the flowers of the time , the people, tones, perfumes and the power of attraction of things sums up to our own as if we were in a huge garden where what we have is a  legacy from many others. We move pleasantly throughout the solutions of which we are heirs and therefore we fit in the universe of patterns and values and therefore they prevent ourselves from making up new ideas, creating new concepts, because we conclude that everything was said, written and created.
In this world we praise the values and heritages and make them last forever unconsciously because   we are constantly adapting ourselves to pre-existing frames and keep on rooted to  ad-eternun unrealities and fantasies such as possessions and titles and our strides along ways of least resistance where we lose ourselves.
Let´s do our best to try and be a part of the solutions that are to be brought about by the future; let´s make up new patterns   with better answers to the enigmas of life and to what we are and leave a legacy   that may spread beyond the barriers of time and space.
Our legacy ought to be greater than everything we live up to now and all we have to do is really want it and cast away   all our conventions







quarta-feira, 12 de setembro de 2012

AS COISAS NÃO PRECISAM DE VOCÊ!





Construímos os mais avançados e variados dispositivos para realizar tarefas complexas e delicadas. Somos capazes de explorar qualquer um dos recursos materiais do globo e revertê-los em prol da humanidade; adquirimos um grau de especialização impensável década após década e ante nossos olhos descortinam-se miríades de maravilhas tecnológicas que diariamente impressionam nossas retinas e aguçam nosso instinto de posse.

Porém, bem maior que todas as maquinas é a genialidade da humanidade que as constrói é a forma como nos fazem entender e enxergar a harmonia complexa das forças sob as quais estamos mergulhados.  Em contraponto a cada passo a frente, mais e mais nos rendemos à grandiosidade do objeto criado e nos ocultamos por trás de cada valor conquistado e então nos perdemos sob as camadas de bens materiais que depositamos sobre nós mesmos.

O impulso criativo vai da intuição à ação e todas as ideias e coisas em vigor ou que hão de passar a existência são as ferramentas que nos tornam e tornarão cada vez mais capazes de compreender a vida entorno e todos os seus veículos de expressão em sua plenitude, da qual somos mera parcela.

Maior que todas as coisas que havemos de ter ou construir, somos nós mesmos e os bens naturais a nossa volta os quais usufruímos e os havemos de manter e proteger, bem como todas as co-criaturas que sustentam e compartilham a vida em nosso planeta pelo tempo em que ele existir.

Os objetos que você possui não precisam que você os ostente porque tudo que hoje somos ou possuímos passará. Por mais avançado que seja o que quer que conquistemos, outros cosmeticamente mais avançados e mais eficientes passarão à existência e então se perderão no tempo, substituídos por coisas mais perfeitas e porém  igualmente transitórias.

Possua e usufrua coisas e esteja inserido nos avanços do nosso mundo, mas não permita que as coisas o possuam e não se permita adoecer com a síndrome do ter e ser ou oculte o belo em você sob as multicamadas materiais que o  privam de todos os seus sentidos sutis.



Por Edson Ovidio


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Don't let the things you own own you.

We have created the most advanced and wide range of devices to perform complex and delicate tasks. We are able to exploit any of the material resources of this world and deploy them for the sake of humanity, we have acquired an unthinkable degree of specialisation decade after decade and right before our very eyes a myriad technological wonders are  unveiled day after day and sharpening our sense of possession.

Nevertheless, better than all machines is the geniality  of the human being who makes them up  and make us see and understand the complex harmony of forces in which we are immersed. Contrapointing with  each step forward, more and more we surrender to the greatness of our own creations and we hide behind each value conquered and then we get lost behind all the layers of material laid upon us

The creative spark  springs from the intuition and moves into action, therefore both ideas and things that exist or that will do in a near future are mere  tools which make us increasingly able to understand life around and all of its vehicles of expression and the fullness which we are just a single part.

We are Greater than all the things that we can afford to possess or build, and so are all  the natural resources around us  which we shall  enjoy, maintain and protect as well as all co-creatures that support and share life on this planet  during its existence.

The objects that you have got   don’t need to be your boast because everything we are today or possess. The most advanced technology our belongs  will  be replaced by more perfectly-fit, efficient and cosmetically more appealing devices over and over again.

Possess and enjoy things and be really part of  world´s progress , but do not allow things to have got you and don’t come down with the syndrome of the king of mountain  nor let the beauty in you buried deep under the material multilayers that  clog all your subtle senses

By Edson Ovidio