segunda-feira, 15 de julho de 2013

CAMINHOS


Quando somos crianças, a vida é de fantasias, magias, um rio de felicidades; as alegrias transbordam cheias de suavidades. À nossa volta, a gente nem percebe que há um mundo de responsabilidades adultas que nos envolvem e protegem em seu halo de segurança e paz, ao abrigo das vicissitudes e amarguras que passam enquanto a gente cresce.

 À medida que crescemos, gradualmente aumentamos nossa percepção, deitamos olhos na estrada e então partimos para rumos distantes.  O mundo reflete-se em nós e então estabelecemos metas e alvos e eventualmente atingimos nenhum dos grandes alvos que sonhávamos. 
O tempo nos move compulsoriamente à frente; bebes tornam-se jovens e jovens tornam-se velhos, porém o passar dos dias não nos torna mais sábios ou maduros, posto que ser uma coisa ou outra demanda esforços, não obstante, muitos se ancoram em algum ponto do caminho, entrincheirados em medos e receios, presos às armadilhas de ódios e preconceitos outros se escondem na imbecilidade e esquecem-se de amadurecer e então os dias anoitecem.

Há muitos perfumes, tons e sabores, colorimo-nos de muitas cores, estabelecemos limites e fronteiras, herdamos preconceitos, dogmas e cismas. Há labirintos, encruzilhadas, viajamos às mais  altas colinas e , em  queda livre , nos precipitamos  rumo a  vales abissais . Miríades de pessoas passam pelas nossas vidas, somos de clãs e tribos, defendemos causas e muitos se alinham com bandeiras da paz ou de guerra

Há jovens que se acomodam no entorpecimento de intenções, viciação de sentidos e esperam que o tempo lhes preencha a vacuidade mental com sabedoria e maturidade enquanto provam  de muitos licores e sorvem diferentes vinhos. No extremo oposto, idosos avizinham-se  do fim da caminhada, solitários, carentes e sob o peso das muitas sequelas e danos de uma jornada de irreflexões  e desconhecimento de si mesmos.
Nossas vivências são burilamentos pessoais, há partidas e chegadas, encontros e desencontros, ganhos e perdas, todavia é imperioso crescer, aprender, amadurecer todos os dias e sonhar em ser sábios sempre.

By Edson Ovidio


quarta-feira, 3 de julho de 2013

REBRASILEIRANDO



Em França, sob o reinado de Luiz XVI, o povo se via oprimido pelos privilégios do clero e da nobreza e do súbito aumento de impostos devido à intervenção do país na Revolução Americana Contra a Inglaterra. Era tão grave o momento, que o povo tomou as ruas para subjugar o poder de seu governante e dizia-se, então que Paris estava intoxicada com liberdade e entusiasmo. Num desses dias de revolta total, contra a avareza do governo, seguindo os boatos da imprensa, o povo dá inicio a uma reviravolta histórica que iniciou aos tempos modernos; era a 14 de julho de 1789.
À luz do pensamento iluminista de vários pensadores, os franceses começaram então um momento histórico e com esse mesmo ideal, outros povos também foram movidos à liberdade.

Fato é que o poder é como um álcool que vicia, corrompe e, vez por outra, nossos representantes se encharcam desse ou daquele vinho e ébrios de poder querem para si muito mais do que para o bem comum.

Esses fatos repetem-se na historia de todos os povos, via de regra, espocam aqui e ali, sob esse ou aquele governante, quaisquer que sejam as causas que, sob a percepção de seus povos lhes afligem ou lhes subjuguem e então se torne a chispa contra a qual esses povos se insurjam.

Somos a mescla rara de muitos povos que iniciaram esse país, sob os auspícios de muitas culturas, muitos interesses e por fim herdamos uma pátria repleta de diferentes nuances diversos matizes, costumes. Todavia sofremos de um comodismo atávico e uma submissão de tempos imemoriais em que os coronéis faziam das suas as nossas próprias vontades.  Desde muito cedo aprendemos a ter apenas o que de bom grado sobrava da mesa de uma casa grande qualquer ou trocar favores com poderosos por um quinhão menor que mitigasse uma carência pontual.

Perdemos o contato com nossos representantes, ao mesmo passo em que a politica se investiu de uma armadura de cupidez e vilipêndio. Os simplórios dentre o povo querem Deus no poder soberano das coisas e então dão o poder a pseudo-arautos que em contrapartida trabalham por dízimos cada vezes maiores. Outros tantos dão seus votos sem qualquer regra, ideologia, porque isso aqui não há.

O povo, enfim se cansou do domínio totalitarista de nossos representantes. Que sejam bem vindos todos os gritos de liberdade! 

por Edson Ovidio

quarta-feira, 1 de maio de 2013

FARRAPOS



Sedas sujas amarfanhadas
Almas famintas desprezadas
Rendas desfeitas  e rotas
Incerteza de trilhas tortas
Rumando  a lugar nenhum
Lixo do desamor humano
Descartado rico debrum
vidas e rumos incertos
qual réles trapos de pano
homens de nossa  urdidura
seres  de ermos e desertos
Como se de fazenda impura
Que o tempo pui e esgarça
A cica da impiedade humana
que não some nem disfarça
A noite segue infinda e fria
Vida é  de breu e  escura
Quem sabe se vai amanhecer

por Edson Ovidio

quinta-feira, 11 de abril de 2013

ILUSÕES


 
Enquanto seguimos vida adentro, todo brilho mais intenso que se nos antepõe à frente do caminho, nos prende a  atenção ; todos os sentimentos de cor mais viva , toda e qualquer força capaz de saciar nossos desejos,  pelo tempo em que perdurem as fortes impressões que entorpecem, subjugam e vergam nossos sentidos pelo tempo em que, por fim,  decidimos retomar o caminho.
 
Dentro de nós residem diversos quereres  e são muitos os sonhos  que querem se tornar realidade .São muitas as sementes que lançamos em direção ao futuro e  vasto o trecho por percorrer, todavia  as luzes fugazes e efêmeras nos cegam  e , de repente, não enxergamos nada além .Dissolvemos  a vontade de ir mais adiante à conquista de nossos alvos, porque sempre teremos a impressão de que são esses os lugares onde sempre desejamos estar, essas as situações que sempre almejamos; . A mente se perde em meio a deliciosos prazeres efêmeros  e se entorpece de si mesmo.
 
Muitas são as paragens  onde hospedados nossos desejos , nossos enfados, desesperos e as vontades imediatas e neles nos demoramos tempos demais ou então deixamos que todos os nossos sentidos  e a razão se embotem .
 
As ilusões são as inconsistências da vida, são os muitos pirilampos com luminosidades fugazes que bloqueiam a visão do que realmente buscamos ;  são os instante em que fechamos os olhos para nós mesmos e então, de repente, o reabrimos e descobrimos que  demoramos tempo demais presos ao vazio.

by Edson Ovidio

domingo, 17 de março de 2013

O TREM DA VIDA




Incontinente passa o tempo velozmente diante de nossos olhos, fatos e coisas cambiam-se, numa sucessão de rápidos eventos. Cada pequeno aspecto em torno, passa à existência, evoluciona-se e então se degrada.

Na vida somos como passageiro de um trem veloz, olhamos, pela janela, a sucessão de eventos e guardamos na retina da mente, as cenas. Queixamo-nos da inclemência do meio ambiente, e regozijamo-nos com o beneplácito e encantos da natureza diante de nossos olhos.

Do começo de nossa viagem até a estação final, o trem sofre a influência do meio e a cada trecho, passageiro têm uma nova experiência, a cada experiência descortinam-se novos encantamentos; as cores, o casario, as pessoas, a paisagem, a suavidade do caminho, o sacolejo do comboio, as reflexões, as decepções e os variados humores.
Enfadamos, nós passageiros, com a sucessão de cenas à janela, por vezes, fechamos os olhos a tudo entorno, então privamo-nos da paisagem que passa e enclausuramo-nos, por momentos, dentro de nós mesmos,

 Há ao longo do caminho muitos túneis de incerteza a atravessar, pontes sobre rios turbulentos de dúvidas, flores da alegria e pântanos de medos e incertezas. Pra onde vamos, o que nos reserva a próxima estação, só o momento seguinte nos dirá.

 A vida por si move e segue seu ritmo frenético, sem se deter. Amiúde, passageiros detemo-nos em ensimesmamentos, decepções e frustrações e tudo parece não tomar rumo, como se o trem seguisse em marcha ré. Fechamos os nossos olhos em alguma paragem e demoramos muito tempo para reabri-los à revolução, dinamismos de tudo a nossa volta.




by Edson Ovidio