terça-feira, 10 de dezembro de 2013

SAUDADE



Carrego-te , no peito,  seguro
cá  dentro trago-te , por certo
árido , vasto ,profano   deserto
Longe e  apartado , eu juro
tu és sempre mui bela flor
entre   lavandas  e  alecrim
tu  te irisas, cor,  multicor
tão sempre mais distante
 o arfante tempo venturo
te trará de volta enfim

vai a  aurora e o ocaso
 bailam vivas  lembranças
como o alarido mil   crianças
dourado idílio, te comprazo
memórias, meu exílio alterno
me perco, me desgoverno
maltrata-me tempo teu descaso
A saudade  é o ter-te  sempre agora
mas  o tempo  aprisiona a hora
avaro   esquece-se de mim       

saudade  é um mar mais  profundo
donde   transbordam emoções
lagrimas d´ almas e  corações
sagrado maior que o além-mundo
afogo-me na tua  ausência
sob o peso dessa  doce inclemência
deslastra o tempo os  segundos
teu mundo, meus mundos
vou-me nessa louca insanidade
do coração, por fim,  batendo saudade

por Edson Ovidio





quarta-feira, 9 de outubro de 2013

LEMBRANÇAS

Lembranças são como lampejos
Pedaços  de momentos passados
De alegrias, pesadelos  e festejos
Molduras de momentos dourados
Vozes, faces, olores  e   arpejos
Que a mente, de repente faz  luzir

Lembranças são calores, são  cores
O  Passado que assombra o agora
O ontem que pelo  hoje ´inda chora
Quando  não há mais e  costumava ser
São amargores que   voltam à língua
Quando míngua a vontade de viver

Lembranças é o  passado pertinaz
Que no tempo   ainda ecoa 
Um diapasão que afina, ora  destoa
Traz de  volta , o que  no ontem jaz
Como  falenas  que no tempo  voam
A procurar a  luz baça e fugaz

Lembranças  cheiram à neblinas 
De Alegrias com  suave   perfume
De Tormento com seu   azedume
Aromas de rosas ou de fedentinas
Que o ontem sopra em tuas  narinas
Provindos de frascos que não  há mais

Lembranças são as muitas vozes
Que ecoam nas paredes do tempo
Que  os anos atenuam  e fazem ruir
São memorias que gritam atrozes
É como o sibilo forte do vento
Que a tudo toma, a tudo quer invadir

Lembrança
É um fio longo que se entrança
Que ressurge do mais profundo
Que aparece e vai embora
Desmancha-se  a cada segundo

Então Ressurge a cada hora 

por  edson Ovidio 

domingo, 29 de setembro de 2013

AS REINAÇÕES DO DIA


ah; essas Reinações do dia!
acordei há quase hora
pensei fosse manhã fria
sol ainda quase  a pino
brilho imenso lá fora
não penso que vá-se por
café bom e roupa leve
calor amigo ancora
Acho que nao vai chover

ah; essas Reinações do dia!
vem à galope a tarde
sol no firmamento arde
o dia vai de brisa a vento
embirra o céu em desalento
eu acho que vai chover
zangam nuvens apressadas
vem coriscos e trovoadas
como há de sempre ser
o sol cai entre o breu e nuvens
pássaros correm para se proteger

Ah; essas reinações do dia!
a borrasca vai-se embora
uma nesga abre-se azul
a noite há de ser muito fria
Vai a tempestade ao sul
A tarde empunha alegoria
o luzeiro olha-nos de oeste
rápido amarela  nuvens
avermelha então sua veste
joga-se no abismo celeste

ah , essas Reinações do dia!
noite clara, noite fria
não acho que vá mais chover
serena noite de lua cheia
terna como teima em ser
sigo andando e conto estrelas
pirilampos alumiam a noite
enquanto o tempo se desnovela
a espera de um novo amanhecer

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

OS NOTÁVEIS



"Quase ninguém repara em ninguém. Em parte porque o espaço que nos circunda está cheio de chamadas, de perigos e de júbilos; o ser humano, longe do que se pensa, é o que menos se nota no mundo.
Agustina Bessa Luis Bezerra



Certa vez fomos ao planetário, as luzes apagaram se e então apresentaram-nos o firmamento como o vemos quando anoitece em minha região; um céu pálido de poucas estrelas. Dai então, fomos informados que não víamos muitas estrelas porque nas cidades havia muito iluminação e poluição; passo seguinte projetou a imagem de como seria caso o nosso céu, não fosse tão poluído e iluminado. Ante nossos olhos, fez-se um espetáculo surpreendente e majestoso, incontáveis estrelas, constelações, galáxias, meteoros, uma grande viagem pela vastidão, que por fim findou-se e todos retornamos ao nosso céu opaco.

O Céu estrelado, a mim me parece a terra com o brilho da essência de todas as gentes. São as estrelas a sabedoria das pessoas que sustentam esse mundo e que se expande além da barreira física e então põe-se a irradiar. Vejo estrelas que cintilam, outras que parecem emitir muito pouco.

Nós somos um vasto universo que se estende desde nossa centelha interna e envolve todas as pessoas e todas as coisas ao redor. De nós partem os sonhos mais efêmeros e ideias que nascem e então espocam mas adiante. Nossos pensamentos criativos materializam-se, vez por outra, e modificam a nós mesmos e o nosso entorno.  Procuramos por instantes de glória, quando então tomam o mais alto ,fogos de vitória sob nuvens de pesar,  de incertezas, ódios e preconceitos  que turvam  nossas visões  e  impedem-nos  de ver estrelas.

Olhamos o céu e vemos apenas a nós mesmos, porque refletimos de nós nas nuvens que insistem em cobri-lo e os fachos fugazes das luzes que projetamos sobre nossos feitos e pedestais de arrogância e pequenez mental ocultam de nossos olhares o coração e o brilho das outras pessoas, os muitos cometas e estrelas além do nosso céu, cujo brilho percebemos por frestas de sobriedade em nosso universo desinquieto.

por Edson Ovidio

sábado, 3 de agosto de 2013

FAMÍLIA, Família ..família

 
A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família.
Leon Tolstoi
 
Todos temos uma grande história, um registro memorável de boas alegrias, dificuldades superadas, do carinho e afabilidades, do companheirismo fraterno das pessoas que compõem o núcleo de onde viemos e crescemos.
 
 Entramos na vida adulta e desenvolvemos responsabilidades, passamos por lutas e desafios diários, espalhamo-nos por lugares distantes, viajamos pelo mundo, todavia invariavelmente voltamos os nossos olhos para o fundo de nossos próprios corações onde residem todas as saudades, alegrias e as melhores lembranças .
 
Por vezes, pesa-nos a inclemência de nossas próprias torpezas, estupidez, insânias e imprevidências , então precisamos que a família nos ajude a remover as barreiras dos pesadelos que criamos e nos desperte para a realidade das incertezas frente as quais nos colocamos para que assim, voltemos a cultivar o solo cuja nossa aridez de conduta tornou um deserto.
Somos as sementes lançadas em bom substrato.  Nossas bases são tão mais fortes, quão mais profunda e firmemente se aprofundem nossas raízes em amores e bons sentimentos e que nossos laços atávicos reflitam em nós as boas luminosidades da arvore de onde fomos lançados e passa-los à frente retemperados com a sabedoria que cada um de nós há de despertar ao longo dessa pequena jornada.
 
Navegamos pela vida, e nossos dias se sucedem com erros e acertos inerentes a cada um; ora singramos mares tranquilos e serenos, ora águas revoltas e bravias que nos querem levar ao fundo ; às vezes suave brisa gentilmente nos toca a face , outras vezes terrível vendaval quer destruir tudo ao redor . Todavia, Braços acolhedores se estendem em nossa direção com atenção poderosa e sentimentos bem maiores que a mera consanguinidade; assim é a família.
Por Edson Ovídio