domingo, 14 de fevereiro de 2016

SOLEDADE

Carrego-te , no peito, seguro
cá dentro te trago por certo
árido , vasto ,apartado
silente,
o tempo é um deserto
no peito cá dentro aberto
eu juro
tu és sempre mui bela flor
profano qual hera no muro
de desejos furta-cor
oasis de tantos lampejos
lavandas, cravinas e beijos
tantas flores
tantas cores
tu te irisas só pra mim
tão sempre mais amante
oh! arfante tempo hesitante
adianta-te rápido por mim
vai a aurora e o ocaso
bailam, revolvem lembranças
como o alarido de mil crianças
dourado idílio, te comprazo
memórias são meu exílio alterno
me perco
me desgoverno
maltrata-me tempo teu descaso
A saudade é o ter-te sempre agora
vaso de sentimento tão profundo
o mastim do tempo aprisiona a hora
tão ávaro aprisiona a hora
tão sádico, maltrata a mim
saudade é um mar tão raso
tão largo e profundo
donde transborda a emoção
bem maior que o além-mundo
lagrimas d´ alma e coração
afogo-me na tua ausência
acredoce inclemência
deslastra, Seu Tempo os segundos
e eu fecho de novo a canastra
no peito há suspiros profundos
pois no imo ´inda bate
a Saudade
por Edson Ovidio

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

TAL É VIVER.


As vezes
a gente se embirra
noutros a gente faz sol
há dias
em que nosso mau tempo
se acirra
pleno mar sem farol
birra do tempo
furia do vento
escuro dossel
brisas e vendaval
razão e desrazão
vida de cordel
auto do bem e do mal
as vezes
a gente vocifera
solta os bichos
explode
se desespera
revolve lixos
se repete e vira fera
reprisa caprichos
se joga confete
apego e desapego
desejos que instigam
fisgam qual anzol
sem carinho e aconchego
ousam e pedem arrego
a gente desafina
em si bemol
as vezes
a vida é rasa
a gente transborda
destroi e arrasa
desentranha uma horda
de mastins famintos
furias, sanha
instintos
paga de santo
bendiz
maldiz
se contradiz
conquanto se mascara
Feliz
a vida é sempre profunda
a gente sempre tem dúvidas
sempre muitos por quês
a gente sempre quer ter
planta coisa alguma
e quer ver florescer
sem qualquer projeto
sem qualquer porquê
e num pique incerto
improvisa uma razão
busca sem nada concreto
respostas pau-a-pique
no deserto da religião

ANAGRAMAS DO TEMPO


fatos e atos
se repetem
humores e amores
se entretecem
ha tempos de ir e vir
de dramas e tramas
anagramas do tempo
que se enredam
se esgarçam e puem
cores fortes
que nos saturam
e então se diluem
mel e fel
água-forte e aquarelas
luz forte , trevas
e velas
o doce da vida
o acre da morte

por Edson Ovidio

solidON


Falenas entorpecidas
volteiam luzes do celular
como se não houvera 
brilho de olhar ignoto
nada ou ninguem em torno
além do que lhes é remoto
nenhuma ou coisa alguma aquém
como se o ecrã fosse o luar
que faz do seu olhar refém
envolto pela nuvem do wifi
cego, nada além
vanidade que se compartilha
mono-assunto que não cai
entre tantos mares de olhares
ilhas e ilhas
dedos ageis
batepapos digitais
mentes frageis
armadilha, tais e tais
a inação
o dessentir
a solidão

sábado, 10 de outubro de 2015

O CÂNTICO DOS MISÉRAVEIS




São brancos, pardos e pretos
em andrajos nauseabundos
por becos, cantos e guetos
sujos de tempo, terras e barros
miseráveis vagabundos
na desdita do degredo
malditos e infectos escarros
desgraçadas mãos que mendigam
vida de fome e medo
saga sem destino
tudo que vai em saco é um segredo
inclemência dos dias de chuva
e de miséria tão à pino
sob o lixo que amontoam
Não voam 
nem criam Raízes
se aninham em brechas 
sob viadutos
sob ponte
um nicho que não lhes conte
que são infelizes
do não ter
do não ser
do escarnio do tempo
do capricho do vento
da mão que se estende
fingindo caridade
do lixo que lhe supre
com muito mais dignidade