sexta-feira, 5 de agosto de 2011

FORMAS DE VER O MUNDO.

Vemos o mundo

"Há pessoas que veem as coisas como elas são e que perguntam a si mesmas: ''Por que?'' e há pessoas que sonham as coisas como elas jamais foram e que perguntam a si mesmas: ''Por que não?''."Bernard  Shaw 
Será que todas as pessoas veem o mundo da mesma forma?

Será que sua realidade e sua verdade são exatamente aquelas que todos têm e veem?

Definitivamente a resposta é não!

As pessoas compreendem o mundo que lhes cerca através de uma lente particular, fazem uma leitura de todos os fatos segundo seu grau de cultura, objetividade relativa e interesses particulares.

Tudo o que  creditamos como válido e plausível é  nossa  verdade e tudo o que efetivamente  passamos  a vivenciar é nossa realidade. Do berço ao tumulo tratamos de adequar nossas observações respeitando nossos padrões legados, visões estreitas ou largas a cada detalhe que se nos antepõe e então tratamos de gravar as vivências tidas e havidas, tentando transformar verdades em realidades.

Muitos se erguem por sobre a limitação das barreiras auto impostas, ideias rotas legadas,  tabus, preconceitos e então cambiam com altivez os conceitos das suas verdades e realidades abandonam a  estreita visão dura das coisas expandindo a visão e sutilizando suas telas mentais

Nossas percepções, das mais sutis às mais toscas, impressionam-nos com suas tintas, tons, texturas, cheiros, sabores e formas. A alguns a vida se lhes apresenta dura, inflexível e áspera, todavia quaisquer que sejam os impactos que as vidas produzam, talvez possamos traduzi-los em suavidade, impressões leves sobre o que somos e levamos gravados dentro de  nós mesmos.  A outras pessoas porém, o conforto,  cultura, os vernizes,  a facilidade de acesso a tudo e qualquer coisa se converte em padrões de respostas distorcidos  inadequados a tudo e a si mesmo.

Da sutileza daqueles que se exprimem em artes, descrevendo a sinestesia de um universo  incompreendido, por meio de belas melodias, pinturas, poemas e contos à torpeza insana  que impressionam e marcam profundamente as realidades alheias  com barbáries  que desafiam a compreensão humana , fatos hediondos, atos de lesa humanidade.

O presente inunda nossas mentes com uma miríade de assuntos, preocupações, aspecto cosméticos, rótulos, porém será que esse arsenal de novos fatos  aumentaram as nossas verdades e submeteram-nos a uma realidade diferente daquela vivenciada pelos pensadores do passado?

Artistas, poetas, loucos, todos possuímos uma visão especifica de mundo e com ela produzimos uma nota única e exclusiva,  quaisquer que seja o  nosso tempo, as formas como  lemos a vida, nossas realidades tangenciam-se e definitivamente influenciamos de forma atemporal todas as outras realidades positiva ou negativamente. Pensadores do passado lançaram reflexos de si sobre nossas verdades desde o ontem até o porvir e muitos de nós haveremos de igual maneira criar padrões que possam ser compreendidos num futuro distante de nós


Por Edson Ovidio


terça-feira, 26 de julho de 2011

A FAMILIA

A Familia

"As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira." Tolstoi 
"Quando já não suporto pensar nas vítimas dos lares desfeitos, começo a pensar nas vítimas dos lares intactos. Vries


Esta semana resolvi divagar sobre a família e a primeira definição básica que me ofereço é: 

_ Antítese e a tese de nós ao mesmo tempo. Somos moldados,  educados, amados. Crescemos,  compartilhamos, vivenciamos, choramos, rimos, incompreendidos, superprotegidos, reprimidos.

Por mais linda e maravilhosa que seja a nossa família, alguém sempre achará uma nódoa; por mais achincalhos que alguém lhe impute , sempre haverá maravilhas dentro de um lar. Há e haverá  flores docemente perfumadas deitando raízes  num fétido pântano e larvas altamente destrutivas nascendo  nos  jardins  mais floridos e aromático .

Se a forma como nossas  famílias educam seus filhos  é a mesma a todos, porém por que será que cada um responde com sua própria nota ao mesmo diapasão ?

Cada  Núcleo familiar possui  seus  valores intrínsecos, padrões únicos , tabus, ressentimentos, somos contagiados com  imagens vivazes de alegrias  legadas ou cicatrizes  latentes  que acinzentam  todos os nossos dias e assombram-nos pelo tempo  da  experiência humana . Há famílias cujo seio  se dilacera pelo turbilhão de forças antagônicas  .

A  medida que crescemos  exacerbamos esse ou aquele valor, entoamos um padrão diverso daqueles aprendidos , adquiridos ou pretendidos , porque cada um nós é um harmônico daquilo que vivencia posto que somos   individualidades.  Desenvolvemos nossas próprias diversidades, idiossincrasias, descambamos em direção ao erro  ou definitivamente alçamos voo em direção a valores não experimentados pelo núcleo que nos formou.

Quaisquer que tenham sido os níveis de prazer  ou insatisfação é assim que fincamos raízes em nossas vidas, ganhamos um direcionamento  e gradativamente somos responsáveis por nós mesmos. Formamos nossas próprias diretrizes, moldamos cada uma de nossas facetas sociais e personalidades.

As tintas fortes da infância, alegrias , privações ou a beligerância de alguns, definitivamente marcam nossas vidas e trazemos as mazelas dos tons amargos de um ou a suavidade determinante de outro. Dos parâmetros e paradigmas vivenciados tomamos para o nosso cadinho aquilo que  assimilamos  e então os tornamos  nota principal em nossa própria existência ou naufragamos alheios a quaisquer tesouros que nos foram entregues.

Será que devemos debitar  à  família o malogro ou creditar a ela o sucesso individual ?

Quaisquer dos memes ou genes sociais herdados e  que , por ventura, possam empanar  nossa trajetória , invariavelmente dizem nada pois  somos nos mesmos que apesar de quaisquer revezes  determinamos o nosso futuro.


Por Edson Ovidio

sábado, 23 de julho de 2011

A COMPAIXÃO

Compaixão
“O ser humano é uma parte do todo que chamamos universo, uma parte limitada pelo tempo e pelo espaço. Ele faz a experiência de si mesmo, dos seus pensamentos e dos seus sentimentos como acontecimentos separados do resto, eis aí uma ilusão de óptica da sua consciência. Esta ilusão é uma forma de prisão para nós, pois nos restringe aos nossos desejos pessoais e nos constrange a reservar a nossa afeição para algumas pessoas que nos são mais próximas. A nossa tarefa deveria consistir em nos libertarmos desta prisão alargando o nosso círculo de compaixão de forma a aí incluir todas as criaturas vivas e toda a natureza na sua beleza”
 - Einstein

.
Este ensaio  é sobre a Compaixão, que  a mim me soa com um sentido diverso da pena ou qualquer sentimento amargo e piegas. A compaixão talvez faça me chorar não pela  tristeza do ter dó, mas pela experimentação do compreender.

 Somos  parte de um todo, dividimo-nos em castas , padrão social, etiquetas, rótulos , pompas e circunstancias , pertencemos a esse ou aquele estrato social. Há grupos em  melhores condições materiais outros tantos  todavia,  muito abaixo do  que entendemos como padrão aceitável de subsistência.

Embora caminhemos pelos mesmos caminhos, nossos sapatos pisem o mesmo chão, a noção do espaço que ocupamos parece estar focada em  nossas tribos, rótulos, convenções e então nossos óculos de ver a vida parece que  “desenxergam”  e desconsideraram  as muitas vidas que atravessam as nossas todos os dias.

 Trazemos conosco valores legados pela família sobre os  quais  desenvolvemos  os atributos próprios e então alçamos voo  expandindo, Incluindo  amigos e abandonando os desafetos.. Incondicionalmente compartilhamos  afeições, bem-estar e todos os possíveis privilégios que deles partam em direção a nós ou de nós a eles.

A medida e expandimos o circulo de interação , doamo-nos aos amigos, nós os percebemos, sentimos seu afeto. mas apenas em  parte, e a medida que continuamos e agigantamos nossos tentáculos mais além, gradativamente deixamos de perceber pessoas que julgamos serem inferiores ou não pertencentes a mesma casta, deixamos de nos sintonizar com sua essência e também com a nossa própria, que são a mesma coisa.

Compaixão significa pôr-se na condição do outro, vivenciar mentalmente a carência e a necessidade alheia e dar de si para mitigar o que você mesmo vivencia, longe da pena e quaisquer outros sentimentos piegas. Quando percebemos nossa essência, nós a  percebemos como se fora uma sinfonia e tudo a nossa volta faz parte dela.  Fazemos parte da família humana, entoamos uma sinfonia especial que compõe o todo.
Somos dissonantes quando não compreendemos a nós e aos que nos cercam.
Somos péssimos músicos quando não percebemos um instrumento com problemas

por Edson Ovidio


sexta-feira, 15 de julho de 2011

O FIO DE ARIADNE

O fio de Ariadne

Segundo a mitologia Teseu, um jovem herói ateniense, sabendo que a sua cidade deveria pagar a Creta um tributo anual, sete rapazes e sete moças, para serem entregues ao insaciável Minotauro que se alimentava de carne humana, solicitou ser incluído entre eles. Em Creta, encontrando-se com Ariadne, a filha do rei Minos, recebeu dela um novelo que deveria desenrolar ao entrar no labirinto, onde o Minotauro vivia encerrado, para encontrar a saída. Teseu adentrou o labirinto, matou o Minotauro e, com a ajuda do fio que desenrolara, encontrou o caminho de volta. Retornando a Atenas levou consigo a princesa.



O mito de Teseu e o minotauro  ou conforme o título que ora faço uso,  “ O fio de Ariadne”   tem servido como pano de fundo a muitas teorias e conceitos filosóficos, místicos, psicológicos ou muitos outros campos de estudos onde a mente humana pode trilhar.

Bom ! Cada um tome o mito acima da forma que melhor lhe aprouver,  sob o ângulo que melhor lhe agradar . Sob o prisma da lógica, resolução de problemas, fatos empíricos , porém  do meu lado eu penso que as mitologias  nos falam sobre arquétipos , nos falam sobre facetas da sabedoria  um tanto além dos aspectos  comesinhos da vida.

Por que resolvi falar sobre o “Fio de Ariadne”?

A mim o mito  fala-me muito claramente sobre nossos monstros internos e  o que devemos fazer para enfrentá-los ou  para enfrentar-nos. A mim me encanta a busca da sabedoria  pele adentro.

Fundamentalmente cada um de nós tem seus próprios caminhos, muitos se valem de si mesmos, da sabedoria inata que os conduz com maestria , outros se norteiam por princípios religiosos, outros tantos se perdem  sem mesmo  arriscarem um passo dentro de si mesmos.
Há muitos que  se buscam em fatores externos a si mesmos , fórmulas mágicas, pactos, valem-se  das muitas  indulgências  para os erros cotidianos e vários outros se valem da auto-complacência  para os desvarios  do berço ao túmulo

Cada dia de nossas vidas  aparecem  abrir e fechar  portas , novas percepções , novos fatos, novos medos , novas ameaças ,traços de felicidade, sombras de tristezas. Perdemo-nos  em ilações sobre como será nosso amanhã, como havemos de cruzar o próximo umbral.  Há Situações e fatos que nos conduzem das luzes às sombras ou vice-versa. Atrevemos sempre em passos trôpegos  corredor a dentro , ora presos por temores, ora   levados pela esperança.

Todos procuram a felicidade, vencer medo, buscar a verdade, a realidade mais a clara para sua própria compreensão  .

O nome Ariadne quer dizer “O mais sagrado”  e eu penso que a chave para a aniquilação dos monstros de nossos recônditos labirintos  é localizarmos o fio dessa essência  cuja ponta podemos prender firmemente a nossos corações e nos conduzirmos vencendo todos os vorazes inimigos interiores.


Por Edson Ovidio

terça-feira, 12 de julho de 2011

A MENTIRA




Mentira


"A mentira apenas é um vício quando faz mal; é uma grande virtude quando faz bem François Voltaire

"O que tem feito mal a muita gente não é a mentira; é o invólucro de palavras artificiosas com que se doira a algema que as verdades lançam ao pulso do homem.                   Camilo Castelo Branco

A mentira mais frequente é aquela que alguém faz a si próprio; mentir aos outros é um caso relativamente excepcional.
Friedrich Nietzsche

Neste ensaio gostaria de ampliar o conceito da mentira, desqualificá-lo como um mecanismo unicamente da fala e que causa repulsa e asco a quem o entenda assim e estendê-lo a nossa personalidade sobre a qual ancoramos princípios e conceitos.
Todos nos mentimos, isso é um fato, ainda que muitos não admitam a si mesmos.  Quer por isso, ou por aquilo, quer por fatores religiosos, falso moralismo ou pela forma distorcida como lidamos com nossa realidade interna e externa. Nossa autoindulgência oculta nossas micro e macro falhas, as pequenas e grandes fissuras que criamos em nós mesmos e que, de repente,  podem tornar-se desfiladeiros.
Não seriam as múltiplas facetas de nossas personalidades mentiras que incorporamos em torno do mesmo assunto?  O EU?
Com que frequência somos coerentes com os nossos pontos de vista?
Somos seres parte de um todo maior, emitimos cotidianamente pareceres que podem ir bem além do nosso mero circuito  familiar  e que podem ganhar  o mundo com grande velocidade. Muito do que pensamos talvez contrariem realidades que ainda não caibam em nossos pequenos cadinhos conceituais.
Quando falamos de Mentira e verdades, parece-me que lidamos com conceitos elásticos, ao passo que se falamos sobre realidades falamos tão somente da imagem que se forma sobre a tela onde projetamos o nosso foco de observação ou a coisa que podemos  medir, pesar, tocar, cheirar, ver , sentir.
Num contexto maior talvez a mentira se dissolva em conceitos que podem tornar-se o centro de ideias ou antíteses  e  reunir ao seu redor seres que comunguem com visões  desfocadas, fragmentadas ou equivocadas sobre um tema.
Grosso modo, todos os conceitos são relativos, mesmo os que pensamos sobre nós mesmos e se tornam mentiras quando se antagonizam com o nosso ideário particular ou de outrem, contrariam nossa visão direta sobre fatos, coisas ou eventos ou estão em contraponto com a unanimidade de outros. Mas então, uma vez mais a unanimidade não é prova incontestável de uma verdade e sim uma visão relativa sobre um determinado ponto ou realidade.
A semântica da palavra talvez possa gerar muitas divagações a seu respeito. Acho, porém que a noção mais concreta e que mais caiba em nosso referencial seja apenas a que impressione nossos sentidos ou da cabal prova que emitimos pareceres não aceitáveis sobre uma realidade.
Dentre as muitas mentiras que possamos produzir nada causa mais dano do que a divergência entre a forma com pensamos e a maneira como agimos, sobre as ideias que defendemos  e a nossa contrapartida na vida. Pele  adentro, caminhamos pelos caminhos mais fáceis, entre lisonjas e nos desviamos dos auto enfrentamentos então pouco se nos importa as mentiras internas se estão satisfeitos os nossos sentidos externos.

Por Edson Ovidio