domingo, 13 de maio de 2012

MÃE



"O coração das mães é um abismo no fundo do  qual se encontra sempre um perdão."
Autor - Honoré de Balzac.

"Amamos  as nossas mães quase sem o saber e só nos damos conta da profundidade das raízes desse amor no momento da derradeira separação."
Guy Maupassant

"Se bem conhecessem as mães quanto valem as carícias maternas,  quanto as apreciam os tenros corações de seus filhos, se elas as  soubessem guardar e empregar sem capricho nem cegueira, nenhum meio mais forte e seguro para pena ou prémio teria a educação."
Autor - Garrett , Almeida


É certo que cada um passa pela vida com bem lhe apraz ; há os de vida bela, os de vida não tão feliz assim ,há aqueles cujos dias  estão cheios de desafios, outros sobrevivem aos  muitos  escorregões ou se envaidecem das  assertivas,  há os cismarentos, marrudos, individualistas, os de mãos abertas, os que tudo tem e os que nada conseguem. Mudamos  muito desde que adentramos a  gangorra dos erros e acertos. Dinamicamente nossas vidas se formam  , deformam  e se adaptam aos fatos pelos quais atravessamos. Cometemos erros inconscientes na infância e infantilmente continuamos a cometê-los conscientemente  na vida adulta como resultado de experimentações individuais  .

Todos tivemos um grande ser em nossas vidas que mantiveram em nossos corações a  ternura de nossa infância de muitas luzes, mesmo apesar de os olhos de muitos não trazerem para a vida adulta a ternura do olhar de criança e transmutá-lo em cupidez, odio ou outro sentimento menos digno. Todos  cruzamos os portais da infância, fomos embalados pelo carinho ,pelos muitos afagos de nossas queridas mães que  nos conduziram pelos dias de nossas incertezas até os limiares de nossas responsabilidades, lapidando com seu cinzel o diamante  bruto que cada uma dela recebeu em seu ventre.

Sei da grandiosidade de todas  as mães, tal era a imensidão também de minha mãe. Lembro-me  de suas expressões, do imenso carinho, de sua altivez, do enorme sacrifício nos dias em que a vida não nos era favorável. Sua boa condução trouxe-me vida a  dentro até esse ponto. Superprotegido, porém super agradecido porque você me ensinou  a olhar a vida com olhos de mais certeza, por me fazer enxergar vários outros caminhos quando eu não via nada a minha frente.

Minha mãe era irreverente, chata a vezes, irritadiça, brigava por coisa que naquela época eu não atinava  direito, mas hoje eu compreendo todos os porquês e vociferar com grandiloquência o que ela fazia com extrema precisão . As vezes rio dos termos que ela usava, de seus contos, das suas muitas expressões pontuais , do seu asco  a idade.

Minha mãe foi uma grande mulher e em algum ponto na imensidão continua a sê-lo, tenho certeza . Oxalá um dia possa dizer tudo o que não pude e não soube, possa dizer que compreendi e assimilei cada uma de suas lições.

Obrigado Minha Mãe !




terça-feira, 1 de maio de 2012

BELA

Amor de conta gotas
Amor de cartas rotas
Olhares perdidos na Janela
Bela aguarda seu amado 
Passa o Tempo
Como o dia morre ribeirinho
Arrastam meses devagarinho
O tempo vai na enxurrada
Queima o jantar na panela
Na falta de luz
acende uma vela
ilumina  luzes que não sabem dela
derretem  a esperança e o sonho
Vento sopra medonho
Sombras dançam enlouquecidas
Bela chora e abra mazelas
Onde sua alma gêmea
Então é Manhã fria
Bela abre a janela
Bom dia.




por Edson Ovidio

sábado, 21 de abril de 2012

SENTIMENTOS


Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

As vezes vivemos e vivenciamos a fúria dos sentimentos e descobrimos  o quanto somos escravos de fatores externos a nós; as angustias, medos e sentimentos outros que sobem efervescentes tomam-nos a palavra, balançam os sentidos, vibram-nos todas as fimbrias internas. Como se estivéssemos encapsulados e presos numa camisa de força tolhidos de sermos nós mesmos, pensadores .

Será que os sentimentos modulam nossa  personalidade, o que somos , melhoram a forma como sentimos o mundo e as pessoas ao nosso redor ?

Ou será que invariavelmente nos envelopamos num dado sentimentos, o tempo  se detêm, nossa visão se turva e então paramos e nos ferimos sob o peso de preocupações, medos, paixões.

Sucumbimos, cometemos loucuras, detemo-nos a um palmo de nossos objetivos nos calabouços do medo ou do desespero.

Nossos mecanismos de interação com a vida e com as pessoas são as muitas reações que elas suscitam em nós.  Enxergamos o mundo, nunca por uma visão clara e ações ponderadas e objetivas, mas através da nossa lente pessoal como se o tempo todo  nossos sentimentos fossem as mãos de quem manipula um fantoche. Agimos e reagimos ante as pressões externas, seguimos por becos e ladeiras emaranhados  nos fios do sentimento que nos manipula , atolamos em charcos e por fim voltamos invariavelmente às vias de acesso a nós mesmos.

Qual a importância dos nossos sentimentos ?
São ferramentas de crescimento?

São estorvos ou âncoras que nos prendem a alguém ou a um momento no passado?
Como você trabalha os seus sentimentos?



por Edson Ovidio

domingo, 15 de abril de 2012

SOMOS UM!






"A igualdade só poderá ser soberana nivelando as liberdades, desiguais por natureza.” Autor Charles Maurras.

"Gosto de porcos. Os cães olham-nos de baixo, os gatos de cima. Os porcos olham-nos de igual para igual.” Autor-Winston Churchil.

"A primeira sensação que experimento ao encontrar-me na presença de uma criatura humana, por humilde que seja a sua condição, é da igualdade originária da espécie. Uma vez dominado por esta ideia, preocupa-me muito mais do que ser-lhe útil ou agradável, o não ofender nem ao de leve a sua dignidade. “Autor -, Charles Tocqueville


Eu vejo a vida como  um vasto rio,  onde cada ser é um quartilho que contem um pouco dessa água e então a colore com uma porção de si mesmo, com seus sabores e então a devolve ao grande rio, tornando melhor o conteúdo que sua consciência habita, quando de si partem ideias, atitudes, sentimentos firmes e nobres. Poluímos o imenso rio quando insistimos em fazer fluir de nós, ideias e sentimentos pobres e deletérios.

Tudo o que acontece a partes do grande rio também acontece a todas as outras, incluindo eu e você. Insistimos em poluir as aguas do rio. Nossos progressos individuais nada representam se também todas as outras partes não compartilharem do nosso melhor.

Humanos, sonhamos e sopramos aos quatro ventos nosso desejo de um mundo melhor e justo com igualdade de direitos e oportunidades ; animais, deliberadamente  voltamos nossas costas ao outro.

Insistimos em querer que tudo se deposite em nosso pequeno pote e que as águas jamais de nós transbordem e que tudo pare em nós, seja para nós e por nós. Ao próximo apenas o nosso asco e indiferença, egoísmo e a nossa solene ignorância de que todos somos iguais.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

VENDE-SE UM PEDACINHO DO CÉU






"A única e autêntica liberdade do ser humano é a do espírito, de um espírito não contaminado por crenças irracionais e por superstições talvez poéticas em algum caso, mas que deformam a percepção da realidade e deveriam ofender a razão mais elementar." 
- José Saramago.



Na antiguidade o clero vendia indulgencias e os poderosos as compravam com medo da ira divina. Eram tempos de ignorância , terminava quase a  idade média, a igreja negociava as graças de Deus. Todo e qualquer crime tinha perdão, caso o fiel pagasse o preço dos facilitadores do céu. Havia então 35 condições de pagamento, mas tudo tinha seu perdão, todas as culpas removidas até a isenção da danação.

Era o fim da idade das trevas, os poderosos possuíam as leis, os de menos posses estavam sujeitos a elas. As religiões falavam do imponderável, tinham nas mãos reis e rainhas, faziam trocas e escambos, tratos e distratos em nome dos céus. Eles escreviam em nome de uma divindade mercantil negociando o peso dos pecados, sinalizando com a censura aos tabus, as culpas e cismas pesavam sob os ombros de muitos.

Ora sob a insânia de governantes, ora sob o pouco sagrado das religiões, moldaram-se os povos, os costumes e as tradições, forjaram-se a leis. 

Caminhando em direção à modernidade, cá estamos nós, olhando para trás no tempo e parecemos um tanto distantes de tudo, temos agora tintas mais fortes da modernidade, mais tecnológicos, mais civilizados, mais cosméticos. Todavia, sob cismas, culpas e pecados ainda somos os mesmos.

 O mercantilismo da fé soa ainda mais alto aos nossos ouvidos, falam de um Deus ainda mais iracundo, os interlocutores da divindade negociam perdões e anunciam o fim de mundo.

Desprotegidos de seus governantes, disputados por duas forças, o bem e o mal, os carentes se guardam ao abrigo da fé a procura de quem lhes de o céu e lhes de opulência, resolvam o não-ter, o não-ser, o desespero.

No passado, os de posse compravam seu salvo-conduto. Hoje, os arautos dos céus acenam com cores e novos atrativos, com carros, posses, cargos e bens e a ignorância tira daquilo que já não tem e doa aos que já muito tem.

Ignorantes!

Ate quando?



por Edson Ovidio