sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O CANTO DA SEREIA




Quando somos jovens, somos como pequenos veleiros, lançamo-nos mar adentro e içamos tantas velas quantas forem os nossos sonhos e devaneios e as colorimos com cores tão fortes quão mais intensos sejam os nossos desejos e vontades, impulsionados pelos ventos das muitas paixões.

Singramos mares rumo a um porto seguro e guiamo-nos por anseios  e aspirações, pelas águas bravias da impaciência, instabilidade; pelas tempestades das nossa inconstância e através das calmarias da inércia e procrastinações. 

À frente, espessas neblinas de ilusões e então perdemo-nos no mar de múltiplos encantos, de crenças, preconceitos, iras, vícios. Abrimos mão de nossa rota e afogamo-nos em nós mesmos, procurando tesouros em nosso egoísmo, ao abrigo de credos e refúgio nas cores mais fortes da nossa imaginação e nas mentiras que nos fazem tão bem.

São os cantos de Sereia, as quimeras, os enganos que embotam nossa percepção dos faróis que guiam a mares mais além; a malicia e torpeza de corsários que saqueiam a fé e a  boa vontade que sobrevivem da nossa ignorância

por Edson Ovidio 


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THE MERMAID CHANT


When we are young, we are like little vessels moving to the sea and guided around by desires and dreams and we hoist as many sails as there are  dreams and nightmares and we dye them with colours as strong as our desires and wills geared by the winds of many passions
We cross the seas looking high and low for   safe havens escorted  by wishes  and desires, sailing  stormy waters of impatience, unsteadiness, moving through the  tempests of inconstancies and the lull of inertia and procrastinations. There are thick fogs of illusions straight ahead and we get lost in a sea full  charms, beliefs, prejudices, wrath and  addictions . We sway this way and that away from the  route and we mire in selfishness   seeking treasures , in the shelter of creeds and taking  refugee  in stronger colours of imagination and the lies which make us feels so well.
The mermaid chant are the chimeras, the mistakes that clog our perception of the lighthouses that will guide us offshore,  the malice and stupidity of corsairs looting in the water of  faith and good will and  surviving thanks to our own  ignorance.



By Edson Ovidio

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

RECOMEÇOS




E enfim o mundo não acabou , como alguns pretendiam, frustrando alguns profetas, seitas, credos e religiões que buscam alcançar um mundo com realidades diversas daquelas que se lhes têm sido apresentadas diante dos olhos e para as quais apenas aqueles que sigam seus dogmas e preceitos encontrem um refugio da fúria divina e que a paz dos dias seguintes lhes abriguem no ócio de todos os dias de um porvir de quimeras e alegrias impensadas.

Somos bilhões de seres vivendo neste planeta, divididos segundo os povos, países, raças, credos, linhagens, clãs, estirpes, tribos, castas e afinidades. Muitos estão com foco no momento presente, outros estão ancoradas em algum lugar do passado, miríades presos em si mesmos, outros, isolados em seus pedestais altos, há  seres despertos e muitos que ainda dormem. Cada um de nós compartilha as verdades comuns a nossa vasta comunidade de seres e as realidades que cada um de nós criamos ante nossos sentidos e as vivenciamos. Tecnologicamente perfeitos, admiravelmente modernos, porém altamente bárbaros, avaros, odientos e inconsequentes. Nossas realidades mudam com a mesma sazonalidade com que mudam os nossos interesses, nossa compreensão do mundo não se estende além do entorno do nosso próprio umbigo e nossa capacidade de perceber o outro não vai além de nossos próprios interesses mercantis, do prazer que o outro nos proporciona, da capacidade de o outro nos perceber como superiores quaisquer que sejam esses parâmetros.

Somos individualidades interdependentes, porém ignorantes e incapazes de perceber o todo, somos os artífices deste mundo e de todas as boas coisas que aconteceram , acontecem e virão a acontecer a nós e ao nosso próximo. Muitos foram os sábios e gênios que mudaram os paradigmas de nossa existência, cujas ideias venceram a barreira do tempo e do espaço , ecoam em nossos sentidos; e diversos foram os mártires cujas ideias se tornaram um marco relevante para a humanidade quebrando as cadeias do ódio e fazendo com que a luz do esclarecimento lhes aclarasse os calabouços da ignorância.
Uma simples bactérias pode se multiplicar e envenenar um reservatório enorme de água, a fumaça do cigarro de um fumante pode empestear o ar que muitos respiram, uma única semente pode germinar, crescer  e então gerar muitos frutos ,  assim também as ideias, nascidas em algum ponto do passado ou em nosso tempo podem mudar  significativamente a vida na terra para melhor ou para pior. 

O mundo se torna um paraíso quando percebemos que todos somos uma só coisa ou um antro trevoso quando lançamos de nos mesmos dardos de ódio, egoísmo, preconceitos, violência, angustias, ignorância, tabus, rancores e ganancias em direção a este mundo.

Nosso mundo pode ressurgir melhor e melhor a cada dia, sem que tenhamos que sonhar com um juízo final,  basta tão somente que cada um de nós ecoe de si uma boa dose de amor e todos os subprodutos que a sabedoria possa evocar.

Por Edson Ovidio


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RE-BEGINNING

And finally the world has not come to an  end , as it had been claimed, frustrating some prophets, sects, creeds and religions willing to make up  a world with different realities from those that have been presented right  before their very eyes and which would grant  those who follow their tenets and precepts a refuge from the fury of God and the aftermath of  peace would give them shelter in idleness  in the days to come , full of pipe dreams  and joys never thought of before.

We are billions of beings living on this planet, divided into people, countries, races, creeds, lineages, clans, strains, tribes, castes and affinities. Many are focused on the present moment, others are anchored somewhere in the past times, myriads imprisoned within themselves, others   isolated high on their pedestals,  there are those who are wide awake  and those who carry on unconscious  . Each of us share the truths common to our vast community of beings and the realities that each of our senses feel which  are brought into existence  and are undergone. Technologically perfect, wonderfully modern and  yet highly barbaric, greedy, hateful and frivolous . Our realities change along with our own  wills ,our comprehension  of the world around us does not go beyond the surroundings of our own navel and our ability to fully understand the other will not outpace  our own mercantile interests, the pleasure provided by our neighbours  and their  ability to praise us  as superior in whatever that means.

We are interdependent individuals, nevertheless rather  ignorant and incapable of understanding  the wholeness, we are the craftsmen  of this world and all the good things were , are or will be unfolded right between our very eyes  and to eyes of our  neighbours. There were many wisemen  and  geniuses who changed the paradigms of our existence, whose ideas destroyed  the barrier of time and space and echoed  in our senses,  many were the martyrs whose ideas became an important landmark  for humanity breaking away from  the chains of hatred and making the life of understanding  to light up  in the  dungeons  of  ignorance.

A simple bacteria can multiply  and poison  a reservoir of water, cigarette smoke from a smoker can spoil  the air we breath,  a single seed can spring, grow and bear fruits  so the ideas born somewhere in the past or not so long ago  that significantly changed life on earth for the better or for the worse. The world becomes a paradise when we realise that we are part of an oneness   or can be a den of darkness   when we blow darts of wrath, selfishness, prejudice, violence, anguish, ignorance, taboos, and  greeds  from ourserves towards the world

Our world can be  better and better every day  and give up the idea of looking forward to a doomsday ´s judgement ,all we have to do  just as only that each of us echo him a fair amount  of love and all the by-products that wisdom can make.

by Edson Ovidio

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O VELEIRO


Na  manhã muito escura
Na suavidade do tempo
Sai do cais, mar adentro
Pequena nau, meu veleiro
Vai nas vagas do azul
Singra a barca  o imenso
Dança à brisa sem tino
Valsa o vento o destino
Iça a  vela vai  longe
Leva meu barco ligeiro

Mar calmo e  bravio
Arde a pele o sol à pino
Velas da vontade
dão ao vento
levam meu navio destino
Corta a vastidão a quilha
ao largo passa  uma ilha
Varre o profundo a rede
O que me há de trazer?

O desejo é um leme forte
Deriva a nau nas tormentas
Iras e Fúrias de tempestade
Bruscas nuvens cinzentas
Nau sem rumo e sem norte
Que o caos agita e  aderna
Com força e  majestade
Como se sob pena eterna
Como no estertor da morte

Abranda o louco  instante
Galeia a nau na calmaria
Abre o tempo
Como  jamais eu sonharia
Ao longe avisto um  porto
Navego ligeiro em sotavento
A vontade  lança o lastro
E a vida  prossegue
O barco se aporta enfim
E a felicidade se aporta 
em mim.


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THE VESSEL 


It is a pitch dark morning
the smoothness of time
Leaves the port seawards
navigate the blue my boat
Sailing on the immenseness
Dancing  in  breeze mindless
Destiny  waltzing in the wind
setting  sail to distant sea
sail away my swift  boat

Calm and tempest water
Skin-burned by the sun upright
Sails hoisted Catching the wind
Taking the boat to  the destiny
through waves cuts the  keel
depth´s swept by the trawl net
what  will be caught in its  weft

Desire  is a strong rudder
That casts the ship adrift
Fierce, angry the stormy sea
gray dark clouds are all I see
a ship sailing no way further
troubled and heeled in shambles
With strength and majesty
As if  an eternal day on  ramble
Or a final death throes to potter

The wild day´s calmed down
Careens the ship in the lull
Under a cloudless sky
Like never in my wildest dream
In the distance I sight a scene
Make quickly sailing leeward
drops anchor the will screams
And life goes on
after all the boat docks at the port
And the happiness docks at me

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

METAMORFOSE




Quando somos crianças a vida é apenas um doce sonho suave que nos acolhe em seu halo luminoso de fantasias efêmeras. Choramos e rimos, brigamos e perdoamos, não temos e queremos. Enquanto somos crianças, o nosso agora é bem mais significativos do que o dia seguinte e fundamentalmente porque estamos completamente comprometidos com esse instante.

Enquanto crescemos, as visões práticas do mundo gradualmente tomam lugar dos sonhos pueris e então vamos lentamente perdendo o jeito criança, dividimo-nos   entre dois mundos e entre vários amigos. Acrescentamos valores às nossas quimeras pueris, queremos ser isso, queremos ser aquilo.

Vida adentro, defrontando-nos com as diversas crises, sonhando e ensaiando diversos voos, seguindo modismos e tendências. Levantamos diversas bandeiras, somos de tribos, somos de clãs. Criamos as nossas muralhas, cavamos as nossas trincheiras, nos protegemos dos pesadelos, dos medos e dos inimigos que criamos e imaginamos.

Quando adultos, somos de castas distintas seguindo por trilhas e caminhos rumo ao topo de uma montanha. Criamos as ferramentas e estratégias para atingi-la ou somos vítimas de nossos  medos e pesadelos vorazes que  nos prendem aos grilhões da impotência.

Em nossos sonhos de sucesso, todavia invariavelmente esquecemo-nos de nós mesmos pelo caminho, em meio a guerras, batalhas e escaramuças. Por vezes, nos precipitamos montanha abaixo ou na busca de atalhos, nos perdemos em cavernas escuras e labirintos esquecidos dentro de nós mesmos. 

por Edson Ovídio



METAMORPHOSIS

When we are children,  life is just a sweet dream that embraces us in its bright and ephemeral  halo of fantasies .We yell and laugh, we fight and forgive , we haven´t got a thing and we want it. While we are children, this very moment is more important than next one because we are wholly committed to it

As we grow, the visions of the practical world gradually swap round our childish dreams and therefore we slowly change our immature way and we are divided between two worlds and among several friends. We add value to our childish   fantasies, we want to be this, and we want to be that.

Through life, we struggle with the various crises while we dream and take chances to fly,   sticking to fashions and trends. We raise several flags against anything, we are tribes and clans.  We build our walls, dig up our trenches to protect from nightmares, fears and enemies that we create and imagine.

As adults, we belong to distinct castes and ride through trails and paths towards the very top of a   mountain whatever it may be. We make up tools and strategies to achieve it or we are casualties of fears and vicious nightmares that shackle us to impotence.

In our dreams of success, we invariably led ourselves astray in the eye of wars, battles and skirmishes. Sometimes we fall down from a mountain or in search of shortcuts, we get lost in dark caves and labyrinths within ourselves.



domingo, 14 de outubro de 2012

EM SINTONIA




Imagine-se numa grande orquestra em que cada músico toque uma sinfonia diferente, em sintonia com outros músicos distantes e regidos por um maestro desconhecido. Esse concerto lhe soaria aos ouvidos como um ruído destoante, multiforme e anárquico.

Assim somos nós! Mostramos o que somos e cada qual doura a relevância e importância do que é de seu comportamento, culturas, pensamentos, ações, filosofia, todavia leva um bom tempo ate que possamos compreender plenamente que outras pessoas vibram numa diapasão diferente e podem não compreender nosso modus vivendi por estarem aquém ou além de nosso referencial.

Compartilhamos um mundo pleno de pontos de vista, crenças, culturas e tradições que se entrechocam, onde o bem o mal se fundem ou se digladiam por diferenças de conceitos e fronteiras definitivas entre um e outro, pois por mais diferentes que todos possamos ser. Estamos sintonizados com as diversas correntes de filosofia e ideias que transitam mundo afora .

A vida em nosso planeta sofre os impactos dessa louca sinfonia desarmônica e tudo parece sempre caminhar num perfeito descompasso, porém à medida que a humanidade amadurece e compreende que somos parte de um grande todo, a musica que somos capazes de produzir tende a harmonia que nos fará um dia compreender tudo e cada coisa em nosso entorno.


Por Edson Ovidio

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In Sync


Picture yourself playing in a big orchestra where every musician playing in a different tune along with distant musicians and conducted by an unknown maestro. This concert would sound like a diverse and anarchical noise to your ears

So are we!
We show what we are and each one of us gild the respectability and importance of our behaviour, thoughts and actions, nevertheless it takes a long time until we realise that all the other people are in a different tune, either very behind or further ahead of our own references and might not understand as well our philosophy.

 We share a world full of point of views, creeds, cultures, traditions, good and evil which can clash against each other because of the conceptual differences or a perceptive boundary between them. We are in tune with a lot of different philosophical current and ideas that are carried over throughout the ages

Life on the planet is directly  impacted by this crazy, disharmonious symphony and everything seems to be striding out of step, but while the mankind matures and understands that we are a part of the wholeness and the song that we are able to sing will come into harmony and make us be aware of each and every and thing around us

by Edson Ovidio