quarta-feira, 9 de outubro de 2013

LEMBRANÇAS

Lembranças são como lampejos
Pedaços  de momentos passados
De alegrias, pesadelos  e festejos
Molduras de momentos dourados
Vozes, faces, olores  e   arpejos
Que a mente, de repente faz  luzir

Lembranças são calores, são  cores
O  Passado que assombra o agora
O ontem que pelo  hoje ´inda chora
Quando  não há mais e  costumava ser
São amargores que   voltam à língua
Quando míngua a vontade de viver

Lembranças é o  passado pertinaz
Que no tempo   ainda ecoa 
Um diapasão que afina, ora  destoa
Traz de  volta , o que  no ontem jaz
Como  falenas  que no tempo  voam
A procurar a  luz baça e fugaz

Lembranças  cheiram à neblinas 
De Alegrias com  suave   perfume
De Tormento com seu   azedume
Aromas de rosas ou de fedentinas
Que o ontem sopra em tuas  narinas
Provindos de frascos que não  há mais

Lembranças são as muitas vozes
Que ecoam nas paredes do tempo
Que  os anos atenuam  e fazem ruir
São memorias que gritam atrozes
É como o sibilo forte do vento
Que a tudo toma, a tudo quer invadir

Lembrança
É um fio longo que se entrança
Que ressurge do mais profundo
Que aparece e vai embora
Desmancha-se  a cada segundo

Então Ressurge a cada hora 

por  edson Ovidio 

domingo, 29 de setembro de 2013

AS REINAÇÕES DO DIA


ah; essas Reinações do dia!
acordei há quase hora
pensei fosse manhã fria
sol ainda quase  a pino
brilho imenso lá fora
não penso que vá-se por
café bom e roupa leve
calor amigo ancora
Acho que nao vai chover

ah; essas Reinações do dia!
vem à galope a tarde
sol no firmamento arde
o dia vai de brisa a vento
embirra o céu em desalento
eu acho que vai chover
zangam nuvens apressadas
vem coriscos e trovoadas
como há de sempre ser
o sol cai entre o breu e nuvens
pássaros correm para se proteger

Ah; essas reinações do dia!
a borrasca vai-se embora
uma nesga abre-se azul
a noite há de ser muito fria
Vai a tempestade ao sul
A tarde empunha alegoria
o luzeiro olha-nos de oeste
rápido amarela  nuvens
avermelha então sua veste
joga-se no abismo celeste

ah , essas Reinações do dia!
noite clara, noite fria
não acho que vá mais chover
serena noite de lua cheia
terna como teima em ser
sigo andando e conto estrelas
pirilampos alumiam a noite
enquanto o tempo se desnovela
a espera de um novo amanhecer

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

OS NOTÁVEIS



"Quase ninguém repara em ninguém. Em parte porque o espaço que nos circunda está cheio de chamadas, de perigos e de júbilos; o ser humano, longe do que se pensa, é o que menos se nota no mundo.
Agustina Bessa Luis Bezerra



Certa vez fomos ao planetário, as luzes apagaram se e então apresentaram-nos o firmamento como o vemos quando anoitece em minha região; um céu pálido de poucas estrelas. Dai então, fomos informados que não víamos muitas estrelas porque nas cidades havia muito iluminação e poluição; passo seguinte projetou a imagem de como seria caso o nosso céu, não fosse tão poluído e iluminado. Ante nossos olhos, fez-se um espetáculo surpreendente e majestoso, incontáveis estrelas, constelações, galáxias, meteoros, uma grande viagem pela vastidão, que por fim findou-se e todos retornamos ao nosso céu opaco.

O Céu estrelado, a mim me parece a terra com o brilho da essência de todas as gentes. São as estrelas a sabedoria das pessoas que sustentam esse mundo e que se expande além da barreira física e então põe-se a irradiar. Vejo estrelas que cintilam, outras que parecem emitir muito pouco.

Nós somos um vasto universo que se estende desde nossa centelha interna e envolve todas as pessoas e todas as coisas ao redor. De nós partem os sonhos mais efêmeros e ideias que nascem e então espocam mas adiante. Nossos pensamentos criativos materializam-se, vez por outra, e modificam a nós mesmos e o nosso entorno.  Procuramos por instantes de glória, quando então tomam o mais alto ,fogos de vitória sob nuvens de pesar,  de incertezas, ódios e preconceitos  que turvam  nossas visões  e  impedem-nos  de ver estrelas.

Olhamos o céu e vemos apenas a nós mesmos, porque refletimos de nós nas nuvens que insistem em cobri-lo e os fachos fugazes das luzes que projetamos sobre nossos feitos e pedestais de arrogância e pequenez mental ocultam de nossos olhares o coração e o brilho das outras pessoas, os muitos cometas e estrelas além do nosso céu, cujo brilho percebemos por frestas de sobriedade em nosso universo desinquieto.

por Edson Ovidio

sábado, 3 de agosto de 2013

FAMÍLIA, Família ..família

 
A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família.
Leon Tolstoi
 
Todos temos uma grande história, um registro memorável de boas alegrias, dificuldades superadas, do carinho e afabilidades, do companheirismo fraterno das pessoas que compõem o núcleo de onde viemos e crescemos.
 
 Entramos na vida adulta e desenvolvemos responsabilidades, passamos por lutas e desafios diários, espalhamo-nos por lugares distantes, viajamos pelo mundo, todavia invariavelmente voltamos os nossos olhos para o fundo de nossos próprios corações onde residem todas as saudades, alegrias e as melhores lembranças .
 
Por vezes, pesa-nos a inclemência de nossas próprias torpezas, estupidez, insânias e imprevidências , então precisamos que a família nos ajude a remover as barreiras dos pesadelos que criamos e nos desperte para a realidade das incertezas frente as quais nos colocamos para que assim, voltemos a cultivar o solo cuja nossa aridez de conduta tornou um deserto.
Somos as sementes lançadas em bom substrato.  Nossas bases são tão mais fortes, quão mais profunda e firmemente se aprofundem nossas raízes em amores e bons sentimentos e que nossos laços atávicos reflitam em nós as boas luminosidades da arvore de onde fomos lançados e passa-los à frente retemperados com a sabedoria que cada um de nós há de despertar ao longo dessa pequena jornada.
 
Navegamos pela vida, e nossos dias se sucedem com erros e acertos inerentes a cada um; ora singramos mares tranquilos e serenos, ora águas revoltas e bravias que nos querem levar ao fundo ; às vezes suave brisa gentilmente nos toca a face , outras vezes terrível vendaval quer destruir tudo ao redor . Todavia, Braços acolhedores se estendem em nossa direção com atenção poderosa e sentimentos bem maiores que a mera consanguinidade; assim é a família.
Por Edson Ovídio
 
 
 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

CAMINHOS


Quando somos crianças, a vida é de fantasias, magias, um rio de felicidades; as alegrias transbordam cheias de suavidades. À nossa volta, a gente nem percebe que há um mundo de responsabilidades adultas que nos envolvem e protegem em seu halo de segurança e paz, ao abrigo das vicissitudes e amarguras que passam enquanto a gente cresce.

 À medida que crescemos, gradualmente aumentamos nossa percepção, deitamos olhos na estrada e então partimos para rumos distantes.  O mundo reflete-se em nós e então estabelecemos metas e alvos e eventualmente atingimos nenhum dos grandes alvos que sonhávamos. 
O tempo nos move compulsoriamente à frente; bebes tornam-se jovens e jovens tornam-se velhos, porém o passar dos dias não nos torna mais sábios ou maduros, posto que ser uma coisa ou outra demanda esforços, não obstante, muitos se ancoram em algum ponto do caminho, entrincheirados em medos e receios, presos às armadilhas de ódios e preconceitos outros se escondem na imbecilidade e esquecem-se de amadurecer e então os dias anoitecem.

Há muitos perfumes, tons e sabores, colorimo-nos de muitas cores, estabelecemos limites e fronteiras, herdamos preconceitos, dogmas e cismas. Há labirintos, encruzilhadas, viajamos às mais  altas colinas e , em  queda livre , nos precipitamos  rumo a  vales abissais . Miríades de pessoas passam pelas nossas vidas, somos de clãs e tribos, defendemos causas e muitos se alinham com bandeiras da paz ou de guerra

Há jovens que se acomodam no entorpecimento de intenções, viciação de sentidos e esperam que o tempo lhes preencha a vacuidade mental com sabedoria e maturidade enquanto provam  de muitos licores e sorvem diferentes vinhos. No extremo oposto, idosos avizinham-se  do fim da caminhada, solitários, carentes e sob o peso das muitas sequelas e danos de uma jornada de irreflexões  e desconhecimento de si mesmos.
Nossas vivências são burilamentos pessoais, há partidas e chegadas, encontros e desencontros, ganhos e perdas, todavia é imperioso crescer, aprender, amadurecer todos os dias e sonhar em ser sábios sempre.

By Edson Ovidio