quarta-feira, 19 de novembro de 2014

INCONSCIÊNCIA NEGRA




Li que era fato raro usar o lado direito do cérebro
Li que poesias vêm do lado direito do cérebro
Li que musicas vêm do lado direito do cérebro
Que as artes fervilham no lado direito do cérebro
Li que negros usam o lado direito do cérebro
Li que a violência vinha do lado direito do cérebro
Li que negros foram por aqui escravizados
E pra cá trouxeram mais leveza e doçura
Que em meio à usura trouxeram mais carinhos
Li de amas negras que amamentavam em prantos
Li de negros que tinham filhos brancos
E de brancos com seus rebentos negrinhos
Li que cá ou acolá bem mais negros morrem
Li que aqui ou acolá bem os mais negros correm
Afastam-se dos centros e levam sua alegria
Os acolhem as distancias e a luzes da periferia
Negros de todos os matizes se aferram as suas lutas
Mães negras criam suas proles e outras viram putas
São marrons, morenas, beges outras são retintas.
Peles, requintes do berço, das historias ditas.
Que seja tudo bem maior que qualquer tom de pele
Seja culto, tem doçura, tem virtude e a tradição zele.
Tem cultura, tem magia, esquece os preconceitos.
Pretonceito, branconceito;
tudo leva a nada!
Lixo mental de pobre mente apequenada
Pensa grande, pensa alto , honre a existência
Seja negro, seja branco , ser humano
Tenha consciência
Por Edson Ovidio

domingo, 5 de outubro de 2014

"NOSSO TEMPO , OUTROS TEMPOS, O MESMO TEMPO"


Muitas vezes, surpreendemo-nos com a história da raça humana sobre a terra, através das páginas do tempo, nos vários rincões por onde singra o rio da experiência humana no planeta observamos a repetição de memes que espocam aqui e ali com os mesmos atributos, ranços, rigores e requintes de poderes tentaculares que dizimaram e dizimam esse ou aquele povo, a sanha de conquista dos tiranos que mudaram e mudam o traçado dos países, a saga e historia das etnias e sociedades. Assistimos a fúria cega da politica de caudilhos que se arvoram como salvadores de seu clã, mas que então lançam mão da fagia sistemática da cultura e das vontades de  todos aqueles  que se lhes contrariem a dominação.

Sob a pressão de poderes de carrascos e tiranos que escolhemos como lideres, debandamo-nos e acolhemo-nos sob o auspícios de inquisidores e cruzados e nos escudamos sob deuses, divindades lastreados na ignorância e medo e então queremos formatar os nossos temores coloridos de dogmas em leis  que impõem os interesses pessoais acima do coletivo.

Ouvimos vozes seculares de Lideres que com sua palavra mágica num instante preciso, ribombam no bom senso coletivo dos ouvidos que realmente ouvem , ecoam nas paredes do tempo e vibram o diapasão de algumas poucas vontades que se levantam sempre em prol da liberdade  individual , expressão e conquista de um povo.

Edson Ovidio

sábado, 5 de abril de 2014

EUS

Meus pés não tocam o agora
Do espelho um estranho mira            
Quando me vejo a mim agora
O medo que de mim transpira
Assusta-me o que vai lá fora
A que destino o temor conspira
No ontem, outro Eu se ancora
O nada é o que mais me inspira

Sussurra o futuro no contravento
Murmúrios de um bom plantio 
Sementes voam e vão embora
Vu-uu-uu! Sopra sibilante vento
Feroz, arrasta , destrói  o plantio
O tempo voraz, sua fome, seu cio
Revolvendo o passado agourento
Calando o meu mais breve cicio

Meus olhos seguem o passado
No ontem Minh ‘alma se rende
Numa leira meu Eu se aporta
Lá atrás o tempo me prende
Quantos Eus hão ancorados
No tempo perdido por fim
Quão muito os tenho buscado
Pedaços perdidos de mim





domingo, 29 de dezembro de 2013

RECOMEÇO





A vida caminha em ciclos, perigos e portos seguros, dias e noites, venturas e tristezas.  Levamo-nos ao extremo de nossas forças e então nos recolhemos para retemperar nossas almas, meditar, sonhar um melhor amanhã. Nossa azáfama diária, as competições infindas do mundo adulto, os olhos voltados constantemente para o mundo externo e os olhos entreabertos  para a guerrilha interna.
O  fim de ano é um desses instantes de paradas em que podemos olhar e perpassar os fatos de nossa trajetória, ponderar sobre nossos pontos de vista e, por fim, assumir novas posturas ante os novos desafios.
Em cada uma dessas fases da vida, a maravilha que se nos apresenta é sempre o Outro, nossos amigos, nossa família, nossos companheiros de caminhadas, através dos quais compreendemo-nos a nos mesmos e a nossa eterna interdependência. Ajudamos e somos ajudados, co-evoluímos como espécime humana e gradualmente  co-herdamos tudo o que desse mundo fazemos.
Como expressão humana buscamos potencializar as nossas capacidades, internalizar e externar forças, pró nos mesmos e por  tudo o que acreditamos e construir um mundo mais vivível a todos os seres
Muitos de nós nos aquartelamos e nos escudamos  em religiões, ideologias, filosofias ou estratos sociais  e através deles conseguimos o conforto, a segurança e as esperanças que se nos fazem  necessárias  pontualmente e por vezes tornamo-nos reféns cegos ad eternum  de preconceitos e apartamentos desnecessários que então separam amigos , famílias e que  então  agigantam-se e mancham a história do globo .
Como indivíduos nossa eterna luta é não nos  esquecermos das pessoas que de uma forma ou outra atravessaram nossas vidas, compartilhando ou antagonizando visões de mundo e permitindo nossos constantes cambio de pontos de vista
Nessa nova etapa de nossas vidas, não se permita esquecer-se dos rostos,  palavras e sentimentos de pessoas que cruzaram nossas vidas , mesmo daquelas que por ignorância evolutiva ,religiosa ou  divergências  filosófica insistam em ignorar os seus olhos, suas mãos ao cruzar pela mesma calçada.
Que bobagem tudo isso, somos de  uma mesma família de seres.
A todos nós , um bom recomeço!



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O PRESENTE , O EMBRULHO E O PAPEL DE PRESENTE.



“... que eu busque mais dar do que receber”.
Francisco de Assis


O natal devolve-me à mente alguns momentos da infância em que eu não tinha grandes esperanças de que os brinquedos que estavam por vir fossem do tamanho dos meus maiores desejos e sonhos , porém o carinho com que cada um finalmente chegava , apagava todas as possíveis decepções de não ter tido o objeto do ideário de então.

Ano após ano, os adultos repetiam o ritual de acordar bem mais cedo, para enfrentar uma fila por brinquedos cedido, por não sei quem, às famílias carentes do meu lugar.

A boa surpresa do colorido das frágeis bolas plásticas de sempre, os novos modelos dos carrinhos plásticos e esse ou aquele novo item preenchia o meu natal pelos poucos dias em que a fragilidade dos brinquedos os levava invariavelmente à lata de lixo.

Os adultos iluminavam nossos sonhos de natal, talvez não com tanta qualidade material, porém com algo bem maior, seu carinho como se esse fora um rico papel de presente. Sua profunda intenção fazia das humildes e bem aguardadas sacolas, os mais bonitos embrulhos e dentro de cada uma, as pequenas coisas saturadas desse sentimento que fazia com que não nos chateássemos com a tamanha incompetência do Papai Noel de todos os anos.

Hoje em que os anos me distanciam desses tempos mágicos e os papeis se inverteram, as lembranças me fazem odiar o cheiro etílico do natal e sua gula festiva, porém meu espirito assimilou o dar e receber do natal com uma força muito grande e expandida para além dos limites de do mês dezembro.